Kannalha torce por Wagner Moura no Oscar e celebra sucesso: “Inexplicável”
Um papo com o cantor e percussionista, dono do hit 'O Baiano Tem o Molho', que virou tema do ator de 'O Agente Secreto' nas redes sociais
O cantor baiano O Kannalha não está indicado ao Oscar 2026, mas é trilha sonora da premiação no Brasil, com a música que virou tema de Wagner Moura na internet: O Baiano Tem o Molho.
O ator soteropolitano concorre à estatueta de Melhor Ator na cerimônia que acontece neste domingo (15), às 21h. E, desde o lançamento do filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, a conexão entre o protagonista e o hit tomou as redes sociais.
“Quando postava um vídeo dançando, as pessoas comentavam: ‘O que ele tem? O molho’. Decidi fazer uma música sobre isso, seria O Kannalha Tem o Molho. Mas pensei que esse protagonismo tinha de ser para todos os baianos, então mudei”, explica o artista, cujo nome verdadeiro é Danrlei Orrico. A música foi lançada em fevereiro de 2025.
Nascido em Camaçari, na Bahia, ele começou a tocar percussão aos 12 anos. Trabalhou como vendedor de abará e entregador de acarajé na barraca da mãe antes de se lançar como cantor, em 2021, com o EP Final de Semana na Favela. Hoje é um dos maiores fenômenos do pagodão baiano, com sucessos e danças virais, como a “batedeira”, seu rebolado em altíssima velocidade. “É uma dança que era muito forte nos paredões entre 2017 e 2018, e decidi resgatar”, conta.
Encontro com Wagner Moura
O Kannalha conheceu o ator e a equipe do filme no pré-lançamento em Salvador, em novembro. “Foi surreal. Pudemos conversar um pouco, contei a história da música, como tudo aconteceu, porque ele não tem redes sociais. Ainda cantamos e dançamos juntos”, relembra.
A associação de O Baiano Tem o Molho com O Agente Secreto foi parar até nas redes sociais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao celebrar as indicações ao Oscar, em janeiro, escreveu: “Wagner Moura tem o molho”.
Sucesso nacional e internacional
O cantor acaba de voltar de sua primeira turnê na Europa, com shows em Portugal, Itália e Suíça. “O sucesso dessa música saiu do controle, tomou uma força gigantesca. O que era para ser algo regional, da Bahia, ganhou todo o Brasil. Com certeza foi uma das razões que nos levaram para fora do país”, acredita. “Defino tudo isso como bênção. É o meu axé que me guia e abre caminhos. Aconteceu naturalmente. Chega a ser divino, inexplicável”, completa, feliz.
Ele torce para que Wagner Moura volte ao Brasil com uma estatueta nas mãos. “A torcida está muito grande, estou ansioso. Espero que ele ganhe, comemore muito e que a gente receba esse prêmio de braços abertos. Não só para o Wagner, mas para o nosso país e o nosso cinema”, diz.
O nome artístico nasceu de uma brincadeira com a própria timidez. “Na van para os shows, cada um tinha um personagem, e o meu era esse. Justamente por trazer um lado que as pessoas não estavam acostumadas a ver, mais ousado, de atitude. Hoje é um personagem muito amadurecido. Mas nasceu para ser o oposto do Danrlei, o momento de libertar o meu alter ego”, explica.
Outro apelido entre os fãs é “Maridão”. “Surgiu naturalmente com o nosso público feminino, foi se criando um laço. Sou muito grato a elas, fui criado por três mulheres. Vamos lançar uma música chamada Mulheres Merecem Respeito, um gesto para retribuir esse carinho”.
Sobre os próximos passos da carreira, Danrlei promete outras novidades. “Quero trazer o conhecimento musical que desenvolvi, a paixão por vários ritmos, além do pagodão. Vou explorar mais as minhas composições, coisas mais profundas. E vamos lançar muita coisa picante na pista para provocar todo mundo”, garante.







