Sucesso nas redes, pianista Antonio Vaz Lemes faz show em São Paulo
O professor e músico paulistano apresenta trilhas de jogos famosos e temas de grandes compositores clássicos no espetáculo 'Wanderlust'
Se você gosta de música, com certeza já encontrou o pianista Antonio Vaz Lemes em algum vídeo pelas redes sociais. Para além do sucesso do seu perfil (@pianoquetoca), o músico tem uma extensa carreira e acaba de lançar um novo disco, Wanderlust (2026), que será apresentado no Teatro Cultura Artística neste domingo (1o).
O artista e professor paulistano tem uma missão: democratizar a música clássica por meio da cultura pop. “Gosto da ideia de ser visto como um pianista popular que toca música clássica. Quero descomplicar a música o máximo possível”, resume. O programa do seu show traduz bem isso, mesclando trilhas de videogames famosos, como Super Mario Bros., com temas de compositores como Beethoven e Brahms.
O álbum, lançado em todas as plataformas no início deste mês, traz somente a parte clássica deste repertório e marca o primeiro projeto do músico com obras estrangeiras.
Com passagens pelo Conservatório de Tatuí e pela Unesp, Antonio foi indicado ao Grammy Latino em 2006, junto de Edson Cordeiro, pelo disco Contratenor (2005), na categoria Melhor Álbum Clássico.
Começou sua discografia solo em 2016, com Sonata Brasileira. Durante a pandemia, começou a publicar vídeos nas redes sociais sobre piano, aproximando músicas e trilhas populares ao universo clássico.
Os ingressos para o seu show em São Paulo estão disponíveis no site do Cultura Artística. Confira o papo com o pianista a seguir.
Qual a ideia do repertório do disco Wanderlust (2026)?
É um álbum só de música clássica. Tenho um canal na internet em que lido com todo tipo de música, que é o @Pianoquetoca. Esse disco era para ter um repertório de diálogo entre a música de games e a música clássica. Mas, como não consegui as licenças, acabou tendo só música clássica. Mas isso não me impede de fazer esse encontro nos shows.
Quais trilhas de jogos estarão no programa do show?
Terão temas das franquias Castlevania, Chrono Trigger, Super Mario Bros., Sonic, Mega Man. Mais atuais, terão Genshin Impact, Assassin’s Creed, títulos bem famosos. A maioria dos compositores é japonesa, a não ser David Wise, de Donkey Kong Country.
Como ampliar o interesse das pessoas pela música clássica?
Eu venho da música clássica, então sinto que a minha missão é difundir esse repertório. Encontrei nos games um jeito de chamar o público ao teatro. Fico muito feliz quando as pessoas vão e ficam felizes por ouvirem uma música que conhecem. Esse é um dos grandes desafios para o instrumentista da música clássica: as pessoas geralmente não conhecem o repertório. As pessoas assistem a um espetáculo para sentir uma conexão. A relação com os jogos remete à infância, traz nostalgia. E o piano é um instrumento que dificilmente as pessoas não gostam. Esse diálogo me interessa muito.
Como surgiu o canal @Pianoquetoca?
Como uma criança nos anos 80, sempre tive vontade de ter um público. E comecei a perceber nas redes, especialmente no TikTok, a possibilidade de chegar em um maior número de pessoas. Me vejo como um pianista popular que toca música clássica. Porque as pessoas me reconhecem, até na rua. E fico muito feliz de falar com um público maior. É uma coisa muito difícil, um pianista clássico ser popular. Gosto de levar o meu instrumento para a vida das pessoas de uma maneira transversal. No canal falo sobre quase tudo: hino de futebol, cantores populares, música brasileira, divas pop, temas geek, anime, game, tema de novela, série, cinema… Tudo que sinto reverberar ou que faz parte da minha história.
E como você percebe o resultado desse trabalho?
Costumo perguntar nos meus shows se tem alguém no teatro pela primeira vez. E sempre as pessoas levantam a mão. Mas não só isso. Muita gente me diz que começou a estudar piano por conta do meu conteúdo, não necessariamente de maneira profissional. Como diz o Caetano (Veloso): “Como é bom poder tocar um instrumento” (verso da música Tigresa).
As redes sociais facilitam essas conexões, mas também podem trazer armadilhas, como algoritmos viciados e nichos. Como navegar por esse mundo digital?
É um perigo. É difícil manter a integridade, o algoritmo e a possibilidade de viralizar são extremamente sedutores. É quase como uma loteria que você joga a cada postagem. A internet me ensinou a dar ouvidos ao público. Na música clássica, o repertório já está meio dado, resolvido. Vou tocar Beethoven e está ótimo. Agora, está dado que o público quer ouvir isso? Não sabemos. Sempre apostei em um repertório que me agradava, mas nunca parei para pensar no público. A partir do momento em que criei o canal, percebi que as pessoas precisam ser ouvidas. Enquanto artista, somos comunicadores, contamos histórias. Tenho que contar aquelas que mexem comigo, naturalmente. Mas você não pode se isolar e só fazer o que está na sua cabeça. A internet me deixou muito atento ao outro.
Livre. Teatro Cultura Artística. Rua Nestor Pestana, 196, Consolação. Dom. (1o), 17h30. R$ 47,00. culturaartistica.byinti.com.







