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Gabriela Duarte brilha em solo feminista ‘O Papel de Parede Amarelo e Eu’

Adaptação de clássico de 1892 conta a jornada de libertação de uma mulher oprimida pelo marido

Por Fabio Codeço
22 jun 2025, 08h00
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Gabriela Duarte: atriz demonstra maturidade em seu primeiro monólogo (Priscila Prade/Divulgação)
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Identificada com o papel da mocinha durante sua carreira na TV, sustentando o peso de ser filha de Regina Duarte (tanto pela sua inquestionável importância para a teledramaturgia brasileira quanto pelos seus posicionamentos políticos), Gabriela Duarte precisou romper barreiras e vencer preconceitos. Como parte de uma jornada pessoal para transpor estereótipos, a atriz encena em São Paulo “O Papel de Parede Amarelo e Eu”, uma adaptação do clássico feminista de 1892 da escritora estadunidense Charlotte Perkins Gilman (1860-1935).

Amparada por dramaturgia moderna e sofisticada, Gabriela se arrisca no monólogo que conta a história de uma mulher oprimida pelo marido em uma viagem íntima pelos labirintos de sua mente. Assustadoramente atual, a peça acompanha a mulher, isolada numa casa de campo sob o pretexto de “repousar”. Confinada num quarto e sufocada por um papel de parede de cor e textura incômodas, ela começa a se desintegrar emocionalmente. Nesse caminho, vai se despindo de sua imagem — o figurino tem forte referência às gueixas, aqui um símbolo de submissão — até se libertar. Seus delírios, materializados pelo texto gravado pela atriz, são uma metáfora brutal do silenciamento feminino.

 

 

Para o projeto, Gabriela se cercou de duas diretoras: Denise Stoklos, criadora do teatro essencial (focado no corpo do ator), linguagem acertada para expressar o texto de Charlotte, e Alessandra Maestrini, grande atriz de musicais e talentosa comediante — o humor, presente na encenação, traz certo alívio em meio à aflição. O texto gravado, comum no teatro físico, pode cansar na metade da peça, mas a transformação da personagem cuida de captar a atenção do espectador. A cenografia inventiva de Marcia Moon reduz o palco do Teatro Faap, confinando a personagem no proscênio, entre as paredes do cômodo e a plateia — vale ressaltar o trabalho da dupla de contrarregras Gil Teles e Pedro Anthony, essenciais para o espetáculo. Numa atuação segura e visceral, Gabriela demostra talento e surpreende. (60min) 12 anos.

Teatro Faap. Rua Alagoas, 903, Higienópolis, 3662-7233, → Ter. e qua., 20h. Até 30/7. R$ 20,00 a R$ 120,00. faap.br/teatro/.

Publicado em VEJA São Paulo de 20 de junho de 2025, edição nº2949.

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