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Notas Etílicas - Por Saulo Yassuda

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O jornalista Saulo Yassuda cobre cultura e gastronomia. Faz críticas de bares na Vejinha há dez anos. Dá pitacos sobre vinhos, destilados e outros assuntos

Guanabara investe em vinhos com curadoria para “público diferenciado”

O sommelier Dionísio Chaves é o novo responsável pela adega dos Supemercado Guanabara, do Rio e Janeiro, famosos pelas promoçõs e memes

Por Saulo Yassuda, do Rio de Janeiro
11 fev 2026, 12h30 • Atualizado em 11 fev 2026, 17h26
Dionísio Chaves, novo curador da adega dos Supermercados Guanabara
Dionísio Chaves, novo curador da adega do Guanabara (Supermercados Guanabara/Divulgação)
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  • Se você nunca foi aos Supermercados Guanabara, já deve ao menos ter visto memes sobre a famosa rede fluminense, que recebe 150 000 pessoas por dia.

    Cenas com multidões estacionadas em frente a alguma das 28 unidades, esperando a hora de entrar; a corrida desse tsunami de gente entre as gôndolas em busca da oferta perfeita; e até brigas na disputa por uma caixa de óleo e outras barganhas costumam ser comuns.

    Mas foi em um cenário muuuito diferente desses que a rede, nascida nos anos 1950, escolheu divulgar sua seleção de vinhos renovada, escolhida pelo novo sommelier da rede, Dionísio Chaves.

    Foi no hotel cinco-estrelas Fasano do Rio de Janeiro, no espaço de eventos onde funcionava o antigo bar Londra, no fim do ano passado.

    Dar de cara com o logotipo do mercado popular no menu chique, que listava pratos como salada de camarão com abacate, cordeiro com batata e mil-folhas de sobremesa, podia causar certo estranhamento. Mas dava para entender.

    “Estamos querendo atender um público diferenciado”, me contou um dos sócios, o diretor de marketing Albino Pinho, sobre essa nova pegada dos vinhos.

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    Adega de unidade do Guanabara
    Adega de unidade do Guanabara (Supermercados Guanabara/Veja SP)

    A nova seleção de rótulos do Guanabara

    Cearense criado na Rocinha, Dionísio Chaves foi garçom e se tornou sommelier, com diferentes prêmios no currículo, e também já trabalhou nos supermercados Zona Sul.

    A chegada dele ao Guanabara marca a nova fase das adegas das lojas, reformuladas. Há pouco mais de um ano, o profissional cuida de renovar a seleção de rótulos, de preparar a equipe de atendimento e da disposição das garrafas nas prateleiras.

    O novo sommelier trouxe cerca de 300 vinhos novos, boa parte de importação exclusiva, vindos de oito países diferentes, como Portugal, Italia, Franca, Argentina e  Chile.

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    Muitos são sugestões mais simples, sem grande complexidade, mas também aparecem achados. Os preços, em loja, custam a partir de R$ 20,00 a garrafa, e a intenção é atender a diferentes bolsos.  “Também temos vinhos de 300, 400 e 500 reais”, conta Dionísio. É um trabalho de garimpo, que o levou a viagens por mais de trinta vinícolas.

    Fazem parte da seleção produtores como Orlando Abrigo e Poggio Salvi, da Itália; António Saramago, de Portugal; Antigal, da Argentina; De Martino, do Chile; Domaine Petit Jean, da França…

    Durante o jantar, foram degustados doze rótulos. Entre os destaques, está o tinto LGI Cuvée Dissenay Pinot Noir 2023, com bastante fruta vermelha como framboesa no aroma e um gostoso frescor. Nas gôndolas, custa R$ 75,90.

    Também foi bem cotado entre os convidados o vinho de sobremesa Vinovalle Infini Blanc Doux, com boa acidez para combater o alto dulçor e aromas que lembram frutas como maracujá, além de mel. Sai a R$ 66,75 no supermercado. “Ele tem um nível qualitativo tão bom quanto o Sauternes”, disse o sommelier, exagerando um pouquinho.

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    Outros tintos também não foram mal, como o francês Château Bellevue 2022 (R$ 53,85), com sabor de fruta madura e toque defumado, e o italiano Convino Chianti Riserva 2019 (R$ 92,50), de acidez boa para acompanhar um molho de tomate, por exemplo.

    O Família Ontañón El Boyante Ribera del Duero Crianza 2022 (R$ 114,90), cheio de estrutura mas também frescor, também funcionou bem, assim como o português António Saramago Grande Reserva 2022 (R$ 141,40), para quem curte tintos encorpados.

    “O Guanbara é hoje melhor casa de vinhos do Rio”, gabou-se o sommelier, que promete, neste ano, chegar a dezesseis países produtores nas prateleiras do mercado.

    Ainda sem unidade na Zona Sul (faltam terrenos amplos para abrigar uma unidade da rede, dizem os donos), a marca tem lojas na capital fluminense, na Baixada Fluminense, em Niterói e em São Gonçalo.

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