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Movida Paulistana

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Ex-secretário de Cultura de São Paulo e à frente de projetos de impacto sociocultural, como o bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, a recém-aberta Formosa Hi-Fi e o saudoso Studio SP, Alê Youssef construiu uma consistente carreira na área cultural. Em Movida Paulistana, às quintas-feiras, ele vai abordar as correntes vanguardistas com seu olhar atento para o que há de mais inspirador

Carnaval sem bairrismo

Nossa folia não é melhor, nem pior, maior, nem menor. Tem suas características, assim como cada cidade preserva suas tradições

Por Alê Youssef
15 jan 2026, 08h00 •
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O bloco carnavalesco Acadêmicos do Baixo Augusta, um dos mais tradicionais da folia paulistana (Acadêmicos do Baixo Augusta/Divulgação)
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  • Curioso que mesmo com o crescimento exponencial dos blocos de carnaval, com a pulverização da festa por toda a cidade e a confirmação dos elementos que caracterizam São Paulo como um dos grandes centros carnavalescos — a folia paulistana continuou sendo alvo de desconfiança e um certo desdém, por parte de pessoas ligadas a outros grandes polos do carnaval brasileiro, como Recife, Salvador e Rio, que são inquestionavelmente os verdadeiros corações históricos da folia nacional. 

    Parte desse preconceito ignora um dado fundamental: o carnaval de São Paulo não é feito apenas por paulistanos, mas por pessoas do Brasil inteiro. São milhões de moradores da cidade vindos da Bahia, de Pernambuco, do Rio de Janeiro e outros estados, além de blocos e expressões carnavalescas importantes desses lugares que há anos desfilam por aqui. 

    Basta lembrar das presenças constantes no carnaval paulistano de Daniela MercuryBaianaSystemBell Marques, Banda Eva, Leo Santana, Galo da MadrugadaAlceu Valença, Elba Ramalho, MonoblocoSargento Pimenta, Fogo e Paixão, Anitta, Bloco da Favorita, entre tantos outros que não só fazem seus desfiles, como sempre manifestaram carinho e o respeito pelo carnaval da nossa cidade. 

    Assim como essa insistente visão jocosa, existe também uma narrativa ufanista e bem competitiva – vinculada aos piores estereótipos paulistanos, que não contribui em nada para uma percepção real da nossa festa. Caem por aqui também, em um bairrismo provinciano parecido como aquele dos que fazem pouco da nossa folia, o que não combina com a cidade, construída por brasileiros e brasileiras de todos os cantos do país.

    Outro problema é que apesar da ampla adesão da população e do setor de serviços da cidade, ainda existe um foco de resistência conservadora que ao invés de dialogar por melhorias e adaptações do carnaval, insiste em radicalizar contra a festa, como se ela fosse algo recente ou passível de cancelamento. Estes, precisam entender de vez, que não existe mais volta. 

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    Depois de 17 anos do inicio da retomada e da consolidada do carnaval de rua contemporâneo da cidade, já não há mais espaço para esses bairrismos. Não há mais novidade, estranheza ou espanto. 

    Independentemente de vários pontos que  precisam melhorar por aqui – como a horário dos desfiles, aumento os fomento à blocos comunitários e atualização do modelo com criação de um fundo com os recursos dos patrocinadores da cidade para a estruturação de todos os blocos que de fato fazem o carnaval – nos orgulhamos muito desse movimento que mudou a cara de São Paulo para melhor – e foi, acima de tudo uma luta social importante pelo direito à cidade. 

    O carnaval paulistano não é melhor, nem pior, não é maior nem menor que nenhum outro. Mantem suas características, assim como cada cidade preserva as suas próprias tradições. 

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