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Partida precoce: a arte, as exposições e a saudade de Jaider Esbell

Morto aos 41 anos, o artista destaque da 34ª Bienal deixa um legado de valorização da arte indígena e de luta por uma outra forma de ver o mundo

Por Tatiane de Assis Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
5 nov 2021, 06h00 •
jaide esbell utilizando roupas indígenas em galeria de arte, de lado para a câmera, agachado sobre um pano sobre o qual ele está pintando
Esbell na Galeria Millan: sem se encaixar no padrão (Renata Chebel/Galeria Millan/Divulgação)
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  • O artista e curador da etnia macuxi Jaider Esbell, 41 anos, morreu na terça (2) em São Sebastião (SP). De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo, trata-se de um caso de suicídio. Esbell nasceu na cidade de Normandia (RR), na região da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, que compreende também os municípios de Pacaraima e Uiramutã na fronteira com a Venezuela. Ele era filho adotivo de Bernaldina José Pedro, mestra e anciã de seu povo.

    Neste ano, além de ser uma das estrelas da 34ª Bienal de São Paulo, foi o curador de uma exposição no Museu de Arte Moderna (MAM), chamada Moquém_Surarî. Sobre essa mostra, ele contou à VEJA SÃO PAULO que havia sido convidado para fazer uma individual, mas preferiu oferecer uma proposta coletiva para trazer um panorama da arte indígena à instituição. Ainda em 2021, seus trabalhos também integraram Véxoa: Nós Sabemos, já encerrada na Pinacoteca; Frestas Trienal de Artes, realizada na unidade de Sorocaba do Sesc, em cartaz até 30 de janeiro de 2022; e Brasilidade Pós-Modernismo, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio, até 22 de novembro.

    Esbell defendia a Arte Indígena Contemporânea (AIC), conceito que, de acordo com texto publicado por ele em seu site em 16 de abril de 2020, pode ser entendido de várias formas. Uma delas é: “Você já viu a arte de fazer parar de chover e de fazer o sol aparecer, assim, rapidinho, bastando um canto de poder? Eu já vi isso acontecer, foi em Roma, Vaticano, uma anciã que fez. Quero deixar claro que o Sistema AIC é isso. Nossa arte é direcionada para resguardar a vida, nunca será para entreter. É para tecer os fios coloridos da existência que estão em nossas mãos”.

    A morte precoce do artista brasileiro foi lamentada por diversas instituições e profissionais do meio. “Era uma troca constante. Sem ele, a Bienal deste ano não teria sido o que foi”, afirmou o curador-geral da mostra, Jacopo Crivelli. O diretor artístico do Masp, Adriano Pedrosa, também se manifestou sobre essa partida: “Triste e inacreditável notícia”. O MAM emitiu um comunicado oficial: “Lamentamos profundamente a perda e estendemos nossa solidariedade aos amigos e familiares”.

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    Publicado em VEJA São Paulo de 10 de novembro de 2021, edição nº 2763

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