‘Pânico 7’: a sequência que ninguém pediu para o Mr. Ghostface
Com saídas simplistas e estratégias baratas, novo filme da franquia é raso e sem senso de humor
Uma das maiores franquias de terror de todos os tempos retorna aos cinemas para mais um capítulo, com algumas mudanças. Pânico 7 é marcado por polêmicas desde antes do início das gravações, quando Melissa Barrera foi demitida da franquia por protestar a favor da Palestina e teve o apoio de Jenna Ortega, que decidiu sair junto da antiga protagonista em ato de reprovação à decisão do estúdio.
Com as saídas, o roteiro inteiro precisou ser reescrito, agora com o retorno de Neve Campbell ao papel de Sidney Prescott. Casada e mãe, a “final girl” (termo em referência à mulher sobrevivente em filmes de terror) tenta deixar para trás o passado turbulento e dolorido e não gosta de falar sobre o assunto com a filha adolescente.
Quando ela começa a namorar, Sidney desconfia de tudo e teme pelas semelhanças com o que lhe aconteceu, até que um assassino à solta aterroriza a vida na pequena cidade em Indiana, onde ela buscou se reconstruir. Rostos do passado voltam para assombrá-la e criam uma nostalgia para o público, em uma estratégia barata de tentar agradar os fãs.
Aliás, é uma saída simplista acreditar que qualquer personagem pode voltar a existir graças à inteligência artificial e deepfakes. O filme de Kevin Williamson tenta se eximir de acusações dessa tecnologia ao citá-la em diversos momentos, mas fica repetitivo e até um pouco duvidoso.
O roteiro é superficial e não dá conta das questões que o diretor tenta levantar, como os traumas de Sidney e a relação difícil dela com a filha. A metalinguagem usada fica batida e perde o charme e o riso irônico do canto de boca que marcavam a saga.
Claro que é o mesmo filme ao qual já assistimos outras seis vezes, o problema é que perdeu o senso de humor e jogo de cintura característicos. Pelo menos os atores parecem comprometidos com a obra.
NOTA: ★★☆☆☆
Publicado em VEJA São Paulo de 6 de março de 2026, edição nº 2985







