‘Nuremberg’ reconstrói época detalhadamente, mas sofre para encontrar tom
Rami Malek interpreta psiquiatra escalado para avaliar aptidão mental de oficiais nazistas pós-Segunda Guerra Mundial
É possível ver um ser humano por trás da figura de um líder de um dos maiores genocídios da história? Em Nuremberg, Rami Malek tem a difícil tarefa de encarnar o psiquiatra norte-americano Douglas Kelley que avalia a aptidão mental de 22 oficiais nazistas do alto escalão após o fim da Segunda Guerra Mundial.
O filme de James Vanderbilt narra os julgamentos de Nuremberg, com uma certa dificuldade de encontrar um tom. Enquanto o tema é seríssimo, a atuação de Malek tem um bom humor dispersivo.
Além da definição de uma sentença para líderes como Hermann Göring (Russell Crowe, muito bom no papel), o braço direito de Adolf Hitler, o longa apresenta suas famílias, para tentar causar uma reflexão sobre como esposas e filhas não tinham culpa pelas atitudes dos sujeitos, mas fica raso e superficial.
Os diferenciais são a produção e a direção de arte, que dão um aspecto sofisticado a todas as cenas, e a reflexão que a obra tenta levantar.
NOTA: ★★★☆☆
Publicado em VEJA São Paulo de 3 de abril de 2026, edição nº 2989







