Os 10 melhores filmes de 2025
O ano foi marcado por ótimos lançamentos, como 'Uma Batalha Após a Outra', 'Manas' e 'Foi Apenas um Acidente'
O ano de 2025 foi recheado de filmes maravilhosos. Produções de diversos gêneros, nacionais e internacionais, brilharam nas telonas dos cinemas.
O critério usado para este ranking é a temporada atual de prêmios pelo mundo — ou seja, entram produções que já foram exibidas nas mostras de cinema brasileiras, mas só estreiam no circuito nacional nos próximos meses. Relembramos obras da temporada passada junto das menções honrosas, ao final do texto.
Confira a seguir a lista (sem ordem específica) dos melhores filmes de 2025.
Uma Batalha Após a Outra
Poucas experiências na sala de cinema neste ano se compararam a de assistir ao longa de Paul Thomas Anderson. Leonardo DiCaprio dá vida a um ex-revolucionário, que se aposentou após ser perseguido, perder a esposa e fugir com a filha. Depois de passarem anos escondidos, pai e filha são surpreendidos com o retorno de um inimigo. O diretor disseca a situação política dos Estados Unidos. Nenhum elemento é inserido à toa. É um dos favoritos ao Oscar.
Manas
A diretora Marianna Brennand ganhou prêmio em Veneza e Cannes com o filme, que representa o Brasil na disputa por uma indicação aos Prêmios Goya, o “Oscar espanhol”. Ele narra a história de Marcielle (Jamilli Correa), uma jovem de 13 anos, moradora de uma comunidade na Ilha de Marajó, que decide confrontar o sistema brutal e conta com a ajuda da policial Aretha (Dira Paes). É uma imersão total. A cineasta soube conduzir com maestria o tema delicado.
A Hora do Mal
O terror de Zach Cregger foi o mais aclamado do ano no gênero, com a sensacional Tia Gladys, vilã criada com capricho por Amy Madigan — cuja performance desponta como aposta ao Oscar. A premissa gira em torno do desaparecimento de crianças de uma mesma turma da escola em uma cidade pequena. A estrutura é dividida em capítulos, mas só é possível formar esse quebra-cabeça imprevisível quando todas as peças estão postas sobre a mesa.
O Agente Secreto
Representante do Brasil na disputa por indicação ao Oscar, o filme de Kleber Mendonça Filho é ousado. O diretor dá pistas a cada cena, para entreter o público por quase 3 horas. Não por acaso, venceu o prêmio de diretor em Cannes. Em 1977, o especialista em tecnologia Marcelo (Wagner Moura) tenta deixar para trás um passado enigmático e retorna ao Recife, mas descobre que está envolvido em uma trama de tensões. A direção de arte e o elenco são preciosos.
Sorry, Baby
Eva Victor faz um trabalho esplêndido em sua estreia diretorial e demonstra um incrível controle de tom. Ela também protagoniza o longa no papel de Agnes, uma professora de literatura que vive isolada, com seu gato, na mesma casa há anos. Quando a amiga Lydie (Naomi Ackie), faz uma visita e conta que está grávida, um turbilhão de sentimentos do passado vêm à tona. É uma história simples, mas bem contada, cheia de nuances e com personagens excelentes.
Foi Apenas um Acidente
O vencedor da Palma de Ouro em Cannes equilibra dor e humor com naturalidade. O cineasta iraniano Jafar Panahi, que foi condenado novamente pelo governo do seu país, reflete sobre vingança e moral. Vahid (Vahid Mobasseri) trabalha como mecânico e desconfia que um cliente seja o policial que o torturou na prisão. Sequestra-o e, com a ajuda de conhecidos, tenta decidir o que fazer. O diretor dá uma aula de cinema, com uma visão humana e um relato necessário.
Oeste Outra Vez
O filme de Erico Rassi tem a premissa simples de uma vingança pessoal no sertão de Goiás. Totó (Ângelo Antônio) quer matar Durval (Babu Santana) por ter “roubado” sua mulher, Luiza (Tuanny Araújo). Contrata o atirador Jerominho (Rodger Rogério) para dar conta do recado, mas a missão falha e o rival contra-ataca com seus próprios capangas. A trama, que pode parecer superficial, ganha contornos profundos graças à direção e à fotografia, que olham para os vazios nos espaços em que estão.
A Única Saída (No Other Choice)
Dirigido por Park Chan-wook e baseado no livro The Axe de Donald Westlake, o filme acompanha um especialista em papel demitido após 25 anos, que, desesperado para sustentar a família, decide eliminar a concorrência para conseguir um novo emprego, transformando-se em um assassino em série. Direção, roteiro e performances agarram a atenção do espectador e não soltam por nada. O longa diverte e ao mesmo tempo faz refletir sobre os males do capitalismo. Estreia em 22 de janeiro.
Sirât
A produção da Espanha, dirigida por Oliver Laxe, é um provável concorrente do Brasil na disputa pelo Oscar de filme internacional. Conta a história de Luis (Sergi López), que viaja pelo sul do Marrocos com o filho à procura da outra filha, que está desaparecida há cinco meses, vista pela última vez em um festival de dança no deserto. Roteiro e performances são excelentes, mas o destaque é o desenho de som, que torna esta experiência maravilhosa e avassaladora. Entra em cartaz em 26 de fevereiro.
O Beijo da Mulher-Aranha
O remake do musical da Broadway, inspirado no livro de Manuel Puig de 1976, corria o risco de ficar na sombra do clássico homônimo brasileiro com Sonia Braga. No entanto, o diretor Bill Condon e o elenco sensacional brilham. Um prisioneiro político chamado Valentín (Luna) divide a cela com Molina (Tonatiuh Elizarraraz). Eles formam um vínculo improvável enquanto Molina narra a trama de um musical de Hollywood, protagonizado por atriz predileta Ingrid Luna (Jennifer Lopez). Com sequências musicais que deixam o público boquiaberto, é a definição de “absolute cinema”. A estreia está marcada para 22 de janeiro.
Menções honrosas
O ano foi marcado por ótimos filmes que deixaram sua marca em festivais e devem brilhar ainda mais na temporada de premiações que começa em janeiro. As menções honrosas são:
- Valor Sentimental
- Hamnet
- O Filho de Mil Homens
- Pai Mãe Irmão Irmã
- O Último Azul
E para refrescar a memória, uma lista com os melhores filmes da temporada passada que entraram em cartaz neste ano no Brasil:
- Anora
- Conclave
- Sing Sing
- A Garota da Agulha
- Nickel Boys
- O Brutalista
- Meu Bolo Favorito
Publicado em VEJA São Paulo de 26 de dezembro de 2025, edição nº 2976





