‘Juntos’ usa o grotesco para chocar, mas carece de substância
Dave Franco e Alison Brie interpretam casal que começa a se fundir fisicamente, em longa com muitas ideias e pretensões
Brigas conjugais são exploradas na esfera do terror em Juntos, de Michael Shanks. O diretor usa a linguagem grotesca do body horror (apoiada em deformações corporais) para falar de amor e codependência nas relações modernas.
Os protagonistas, Dave Franco e Alison Brie, casados na vida real, garantem a química. Eles vivem o casal Tim, um músico falido, e Millie, uma professora bem-sucedida que aceita um emprego em uma cidade isolada.
Antes de se mudarem, turbulências começam a abalar o relacionamento, quando um pedido de casamento deixa evidente o desalinhamento entre eles.
Mesmo divergindo, seguem juntos e tentam recomeçar, mas o sonho se transforma em pesadelo após se perderem em uma trilha na floresta e encontrarem ruínas do que parece ser uma capela abandonada. Uma força misteriosa puxa um ao outro, até que eles começam a se fundir fisicamente.
Há muitas ideias, envolvendo até o sobrenatural, algumas subdesenvolvidas. Os temas de relacionamento ficam superficiais em troca da pretensão de chocar com o horror corporal.
É uma obra redonda, que poderia ser mais enxuta e carece de um quê realmente atrativo e memorável, mas acerta nas performances.
NOTA: ★★★☆☆
Publicado em VEJA São Paulo de 22 de agosto de 2025, edição nº 2958





