‘Jovens Amantes’ é coming-of-age autobiográfico sobre problemas fúteis
Filme da diretora ítalo-francesa Valeria Bruni Tedeschi narra experiência pessoal na renomada escola de teatro Les Amandiers

Três anos depois de estrear em Cannes, Jovens Amantes chega aos cinemas brasileiros com uma história particular. Trata-se de um coming-of-age autobiográfico, inspirado na juventude da diretora ítalo-francesa Valeria Bruni Tedeschi durante o período na renomada escola de teatro Les Amandiers.
Nos anos 1980, a instituição, localizada em Nanterre, subúrbio de Paris, recebe uma nova turma de jovens estudantes. Como parte natural dessa fase da vida, surgem dilemas sobre primeiro amor, sexo, dores e individualidade.
Mas a obra acaba seguindo um caminho mais pessoal, focado em Stella (Nadia Tereszkiewicz), que aparenta personificar a cineasta. Tudo começa com o teste para uma vaga na escola, diante do prestigiado diretor Patrice Chéreau (Louis Garrel).
Quando ela é aprovada, conhece o restante do grupo de atores, incluindo Camille (Alexia Chardard), Franck (Noham Edje), Juliette (Liv Henneguier) e Étienne (Sofiane Bennacer). O último começa a se envolver com Stella, em uma relação que revela o egocentrismo de cada um.
Questões como a aids e o mundo das drogas, que contribuiriam para um desenvolvimento interessante, ficam superficiais, a serviço do fio narrativo da protagonista. A atenção se mantém em Stella, sua ansiedade e seu ciúme.
Por um lado, o resultado tem um tom leve, no estilo de aventuras de uma juventude agitada. Porém, com performances desanimadas, parece um retrato de problemas fúteis da elite.
NOTA: ★★★☆☆
Publicado em VEJA São Paulo de 18 de julho de 2025, edição nº 2953