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Filmes e Séries - Por Mattheus Goto

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Bruce LaBruce: “Pessoas que reclamam sobre sexo têm mentes mais sujas”

Cineasta canadense fala sobre imigração, sexo e Brasil em entrevista sobre ‘O Intruso’, novo filme com nudez explícita

Por Mattheus Goto
16 mar 2025, 08h00
Bruce LaBruce: marca transgressora, que une sexo e mensagem política
Bruce LaBruce: marca transgressora, que une sexo e mensagem política (Cortesia Apolitical/Divulgação)
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Conhecido pelo estilo provocativo, o canadense Bruce LaBruce lança uma nova obra com temas sociais efervescentes. O Intruso é um manifesto pelos imigrantes e contra racismo, xenofobia e hipersexualização.

O filme, que estreou no Festival de Berlim no ano passado, é uma releitura com sexo explícito de Teorema (1968), do italiano Pier Paolo Pasolini.

Na história, um imigrante (vivido por Bishop Black), é encontrado nu, dentro de uma mala, às margens do Rio Tâmisa. Vai até a casa de família rica, começa a trabalhar e ter encontros eróticos com cada morador.

Banquete na mansão: encontro de família em 'O Intruso'
Banquete na mansão: encontro de família em ‘O Intruso’ (Imovision/Divulgação)

O diretor convoca todos a “colonizar a colonizador”, entre outras mensagens políticas audaciosas.

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O que o filme representa em um momento em que imigrantes são perseguidos nos Estados Unidos?

Fiz O Intruso em Londres, quando a extrema-direita intensificava sua retórica anti-imigrante. A narração racista e alarmista que você ouve no início do filme não foi inventada, foi retirada de políticos conservadores reacionários e comentaristas de direita. Fica claro que eles sexualizam o outro, o “intruso”, projetando sobre ele seus desejos e fantasias sexuais, assim como sua paranoia, em uma linguagem quase pornográfica. Donald Trump fez algo semelhante nos Estados Unidos quando chamou imigrantes indocumentados de “estupradores”.

Como um protagonista como Bishop Black pode instigar uma revolução?

No filme, o personagem diz: “Eu sou um revolucionário pansexual”, o que descreve bem o que ele é na vida real. Já trabalhei com Bishop anteriormente e ele sempre traz uma sexualidade muito positiva, livre e aberta para seus papéis. Tem também uma mentalidade diversa, com atração por diferentes raças, tipos de corpos, idades e gêneros. O que poderia ser mais revolucionário do que isso?

O que o filme tem a dizer sobre os impactos reais da hipersexualização?

Na maioria das vezes, são justamente as pessoas que mais reclamam sobre sexo ou que condenam a “sociedade hipersexualizada” que têm as mentes mais sujas e veem tudo sob a ótica da perversão e da vergonha. São, muitas vezes, os políticos conservadores ou líderes cristãos, aqueles que mais defendem a monogamia e o comportamento heteronormativo, que acabam tendo casos extraconjugais ou levando vidas sexuais secretas. Acredito que a repressão sexual e a vergonha são os fatores que mais impactam as pessoas.

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O que o filme representa para sua vida e carreira?

O longa foi produzido pela A/Political, uma organização artística baseada em Londres que trabalha com obras transgressoras. Eles me incentivaram a deixar minha imaginação correr solta e a ultrapassar os limites do que normalmente é considerado aceitável. Para mim, foi um retorno aos meus primeiros dias de cinema experimental, em que buscava romper tabus e explorar novos territórios. Isso é libertador tanto artisticamente quanto pessoalmente.

Como você acha que o público brasileiro pode se conectar com o filme?

Já tenho uma base de fãs sólida no Brasil. Exibi meus filmes pessoalmente em cinco cidades diferentes e participei de festivais de cinema no Rio de Janeiro e em São Paulo várias vezes. Acho que há uma abertura e uma valorização no Brasil por representações mais diretas e sem rodeios da sexualidade, além de uma disposição para considerar novas expressões de identidade e práticas sexuais alternativas. É um país sensual, com pessoas sensuais, então não me surpreende que meus filmes tenham encontrado um lar por aqui.

Publicado em VEJA São Paulo de 14 de março de 2025, edição nº 2935

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