Carolina Markowicz ganha destaque internacional com ‘Pedágio’
Novo filme da cineasta paulistana, que estreia em novembro, toca em temas como homofobia e religião
A paulistana Carolina Markowicz, 40, vive um empolgante momento profissional fruto de um trabalho que já acontece há anos. Em setembro, recebeu o prêmio de Emerging Talent (Talento Emergente), no Festival de Toronto, e se prepara para lançar seu novo longa-metragem, Pedágio, em 30 de novembro (antes, será possível conferir o filme na Mostra SP, de 19 de outubro a 1º de novembro).
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Desde a presença em eventos internacionais e a realização de ótimos curtas-metragens como O Órfão, que recebeu o prêmio Queer Palm no Festival de Cannes, em 2018, a cineasta é dona de uma trajetória que ganha cada vez mais atenção em diversas áreas do audiovisual. Isso vale para festivais, premiações e, também, para outros cineastas, como o veterano Walter Salles.
Maeve Jinkings e Kauan Alvarenga em cena de Pedágio (DIVULGAÇÃO/Divulgação)
O cinema de Carolina, cujo foco recai em personagens que estão na margem da sociedade, é considerado pelo diretor de Central do Brasil como “original”. De fato, é esse olhar fincado com os dois pés na chão o que mais chama a atenção em suas produções.
“Dá uma reenergizada”, diz Carolina sobre o reconhecimento de Salles. “Me interessa falar sobre as contradições da sociedade, dos valores invertidos. Ser gay é mais mal visto do que outras coisas que são, de fato, ruins.”
Pedágio, estrelado por Maeve Jinkings e Kauan Alvarenga, apresenta uma mãe que tenta fazer com que seu filho gay seja “curado” e toca em temas como homofobia e religião. Carvão, seu longa predecessor, também fala sobre crise de valores da “família tradicional”. Carolina considera o prêmio em Toronto um lembrete de que está no caminho certo.
“Tenho medo de ter medo e deixar de ter coragem. Gosto de fazer filmes que têm uma linguagem arriscada”, afirma. Pedágio também disputou uma vaga para representar o Brasil no Oscar 2024, que acabou ficando com Retratos Fantasmas, de Kleber Mendonça Filho.
A cineasta aponta que filmes feitos por mulheres precisam estar em evidência. “É difícil fazer filmes, mas é ainda mais difícil fazer com que diretoras sejam vistas”. Sobre o futuro, Carolina está desenvolvendo um roteiro que deve se passar em São Paulo: “Será uma sátira sobre uma família da elite”.
Publicado em VEJA São Paulo de 13 de outubro de 2023, edição nº 2863
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