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A Tal Felicidade

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Saúde, bem estar e alegria para os paulistanos

Extrair da dor o maior aprendizado e crescimento

Palestrante e escritora do livro Meu Amigo Câncer, Mari Toson, conta como encontrou felicidade nos momentos de dor

Por Mari Toson
16 fev 2024, 06h00 •
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 (Flavius Vladimiri/Getty Images)
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  • Existe felicidade na dor? De imediato a resposta seria “claro que não”. Mas eu lhe afirmo: se você persistir com sabedoria e souber aguardar, você a encontrará.

    Quantas vezes é a dor, o sofrimento e até a “quase morte” que nos apresentam o mais sublime e verdadeiro sentido da vida? Foi assim comigo por 25 anos.

    Não sei o quanto você acredita em histórias miraculosas, mas eu sou filha de três milagres, três novas chances de viver.

    Nós, humanos, vivemos com a ilusão de ser infinitos, com a sensação de que a morte está sempre longe. Este devaneio nos leva a perder tempo com coisas pequenas, a não dar o valor correto às relações, a brigar de maneira desnecessária e a ter tantos outros comportamentos descabidos.

    Foi durante a juventude dos meus 19 anos que um câncer fulminante se apresentou de forma inesperada e súbita.

    Diagnóstico de leucemia linfocítica aguda tipo T e 20% de chances de sobreviver. Imagine que você está em uma montanha-russa e, no primeiro looping, seu carrinho trava e ali você fica de cabeça para baixo. No dia seguinte, 30/4/1998, centenas de amigos e familiares se reuniram às 20h e pediram a Deus pela minha vida.

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    Apenas onze horas após essas orações, meu hematologista entra em meu quarto com olhos arregalados e diz: “Vamos repetir seu hemograma, pois tem algo errado. Ontem você estava com 300 000 leucócitos (o normal é de 3 000 a 10 000) e agora está com 10 000. Você entrou em remissão. Não há mais células cancerígenas em seu sangue”.

    Nesse momento, Deus apresentou seus planos para mim e eu os abracei.

    Tornei o câncer meu amigo, enfrentei incansavelmente as profundas dores da químio/rádio com uma fé inabalável, que comecei a construir para sobreviver. Diante de um desafio, nosso cérebro só entende dois comandos: fugir ou enfrentar.

    E, sendo assim, têm chances apenas aqueles que enfrentam sorrindo, extraindo da dor o maior aprendizado e crescimento.

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    O terceiro milagre aconteceu dezenove anos depois, no parto do meu segundo filho. Uma inesperada hemorragia causada pela falência do meu útero cerca de dez minutos após a cesariana. Eu tinha duas opções: morrer ou voltar em estado vegetativo.

    Meu marido, que é médico-cirurgião, saiu do bloco cirúrgico para não presenciar minha morte. Após oito horas, acordei entubada na UTI. Três dias depois, conheci meu filho Benício.

    E o segundo milagre, Mari? Os detalhes eu conto no livro Meu Amigo Câncer. Mas posso dizer que todos os dias, quando meus pés tocam o chão ao sair da cama, eu ajoelho e agradeço a deus pela dádiva que é viver com saúde.

    Não há ressentimentos e existe gratidão diante de uma doença rara (sem cura e tratamento) chamada osteonecrose em todas as juntas do meu corpo.

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    Hoje carrego com carinho duas próteses bilaterais totais de quadril e lido com as dores diárias que me acompanham.

    Entenda, meu querido leitor, que a vida nunca será sobre o que lhe acontece e sim sobre o que você decide fazer com tudo que lhe acontece.

    Eu entendo que cada problema é uma benção, uma oportunidade de crescer e evoluir como ser humano. Sendo assim, jogue luz naquilo que pode te levar adiante.

    Mari Toson

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    Mari Toson: palestrante focada em inteligência emocional e espiritual (Renan Radici/Divulgação)
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    Mari Toson (@maritoson) é palestrante focada em inteligência emocional e espiritual e escritora, autora do livro Meu Amigo Câncer — Como a Fé e a Coragem Transformaram o Impossível em Possível (editora Gregory).

    A curadoria dos autores convidados para esta seção é feita por Helena Galante. Para sugerir um tema ou autor, escreva para hgalante@abril.com.br.

    Publicado em VEJA São Paulo de 16 de fevereiro de 2024, edição nº 2880

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