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Aos domingos, a comunicadora e empreendedora, que também atua como estrategista da nova economia, trará crônicas e insights sobre cultura e lifestyle urbano, tendo São Paulo como vitrine e ponto de partida, sem deixar outras pontes pelo Brasil e o mundo

Monique Evelle: meus lugares favoritos em Salvador

De restaurantes a museus e noites musicais, um guia afetivo para viver o verão na capital baiana

Por Monique Evelle
11 jan 2026, 08h00 •
Baía de Todos-os-Santos:
Visual da Baía de Todos-os-Santos (Betto Jr./Divulgação)
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  • Salvador foi capa da Vejinha recentemente e isso, inevitavelmente, despertou o desejo de muita gente voltar os olhos para a cidade. Para quem vem de São Paulo, Salvador pode parecer intensa demais, quente demais, barulhenta demais. Mas essa leitura costuma mudar rápido. Salvador recompensa quem chega sem pressa. Quem entende que ali o tempo não se disputa, se compartilha.

    Escrevo como quem apresenta a cidade a um amigo. Não como roteiro turístico, mas como mapa afetivo de quem nasceu ali e aprendeu a viver o verão com o corpo inteiro.

    Quando o assunto é comida, não tem como não começar pelos meus dois restaurantes favoritos. O Boia Restaurante é Salvador em estado puro: peixe fresco, pratos solares e aquela sensação deliciosa de que o almoço pode e deve durar mais do que o planejado. É o tipo de lugar onde o corpo desacelera sem esforço. Se deixar, eu passo o dia inteiro ali, entre boas comidas, drinks e conversas que não pedem pressa. Já o Solar Gastronomia é onde a sofisticação e afeto se encontram. Cozinha contemporânea, ingredientes tratados com respeito e um clima que convida à conversa longa. Não é sobre impressionar. É sobre acolher. Comer ali é entender que Salvador também sabe ser delicada, precisa e silenciosa quando quer.

    Para beber, encontrar gente e deixar a noite acontecer, meus caminhos passam por endereços que dizem muito sobre a Salvador de hoje. O Bombar segue sendo ponto de encontro de artistas, músicos e curiosos — especialmente depois dos shows. É bar, é conversa, é after espontâneo, é cidade acontecendo sem roteiro. O Colaboraê é um espaço híbrido que mistura comida, música e gente diversa, sem rigidez. Para quem frequenta o Bona, em São Paulo, a identificação é imediata: muda o sotaque, mas o comportamento é o mesmo. O retorno do Chupito trouxe de volta um clássico da noite soteropolitana — simples, direto, sem performance. E no Cravinho, no Pelourinho, beber é quase um ritual. Segurar o copinho ali não é consumo: é pertencimento.

    Mas Salvador não se vive só à mesa ou no bar. A cidade também pede escuta e memória. O MUNCAB é visita essencial. Mais do que um museu, é um espaço de entendimento profundo sobre arte negra, ancestralidade e o Brasil contemporâneo. A Casa das Histórias de Salvador também merece tempo. Ali, a cidade se conta a si mesma sem pressa e com camadas.

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    E, se tiver sorte, não deixe de viver a Salvador que canta e dança. Um show de Suco de Bahia, Afrocidade ou Banjo Novo diz mais sobre a cidade do que qualquer explicação. Assim como a noite da Beleza Negra do Ilê Aiyê ou um ensaio do Cortejo Afro, experiências que não se assistem, se vivem.

    Salvador não é cidade para checklist. É cidade para presença. Para comer sem culpa, beber sem pressa e escutar com atenção. Para quem está pensando em vir no verão, meu conselho é simples: venha. Mas venha disposto a viver a cidade por inteiro. Salvador devolve em afeto tudo aquilo que você entrega em tempo.

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