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Desbravando com Monique

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Aos domingos, a comunicadora e empreendedora, que também atua como estrategista da nova economia, trará crônicas e insights sobre cultura e lifestyle urbano, tendo São Paulo como vitrine e ponto de partida, sem deixar outras pontes pelo Brasil e o mundo

De SP a Roma: bares diferentes, mesmo comportamento

De Santa Cecília ao Trastevere, dos becos de Barcelona ao Pelô, mudam os copos e permanece o desejo de pertencer

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16 nov 2025, 08h00 •
roma
Vida noturna em Roma (Monique Evelle/Reprodução)
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  • Toda cidade tem um bar que diz mais sobre seus habitantes do que qualquer manual de sociologia. Os nomes mudam, os sotaques também, mas o comportamento, esse é universal.

    Em São Paulo, o Moela, na Santa Cecília, é quase uma metáfora da cidade: bar pequeno, mesas apertadas, gente na calçada e a sensação de que todo mundo ali está a um passo de mudar de vida ou de trabalho. A cerveja vem rápido, a conversa é intensa, e há sempre alguém com uma pochete descolada ou o celular aberto mostrando seu novo projeto criativo. No Moela, o bar é escritório, confessionário e palco improvisado de afetos.

    Em Roma, o Bar Calisto, em Trastevere, cumpre o mesmo papel, mas com outro tempero. Entre cerveja local e vinhos baratos, o tempo parece desacelerar. Ali se misturam estudantes, senhores italianos, artistas, turistas, todos atraídos pela mesma coisa que atrai os paulistanos ao Moela: a possibilidade de pertencer, mesmo que por algumas horas. Calisto é um daqueles lugares onde ninguém precisa se explicar.

    Em Barcelona, o Bar Pietro é o Moela mediterrâneo. Pequeno, caótico e honesto. Os garçons conhecem os fregueses pelo nome, as mesas vivem ocupadas por gente que acabou de sair do trabalho, e o vermute da casa tem gosto de cotidiano. É o tipo de bar em que as pessoas não vão apenas para beber, mas para se sentir parte de um roteiro coletivo, mesmo sem roteiro nenhum.

    E em Salvador, o Cravinho faz o mesmo com mais cor, mais cheiro e mais música. No Pelourinho, ele é ponto de encontro de gerações, onde estudantes, artistas e turistas dividem espaço em pé, segurando o copinho de cachaça como se fosse passaporte. O Cravinho é uma iniciação cultural.

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    De São Paulo a Roma, de Barcelona a Salvador, muda o sotaque, mas o desejo continua sendo encontrar um lugar que faça a cidade parecer um pouco mais humana. Em tempos de pressa e performance, os bares ainda são o último território da pausa. Onde o pertencimento não se compra, se bebe. Bons drinks!

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