As marcas paulistanas que você precisa conhecer
FFV, Dot Energy e Class mostram que São Paulo não espera ninguém inventar o que ela precisa
São não espera que alguém de fora invente o que ela precisa. Ela pega o que tem, coloca numa laje, num porão, numa rua do centro, e reinventa o mundo, às vezes com R$ 1.500 de rescisão, às vezes com uma câmera que recusa ter tela.
Nos últimos meses, me peguei de frente com quatro marcas que são, cada uma do seu jeito, a prova disso. Não são grandes corporações. São apostas, experimentos e convicções viradas em produto. E todas têm endereço aqui.
FFV: a câmera que virou a fotografia do avesso
Fui parar no número 240 da Rua Barão de Tatuí, na Santa Cecília, numa tarde que começou como um passeio de café e terminou com uma câmera na mão. O FFV, que nasceu em Belo Horizonte em 2019 como um festival de fotografia analógica, encontrou em São Paulo seu lugar em forma de loja, um café e um ponto de encontro que cheira a revelador e coador ao mesmo tempo.
O espaço une a paixão por grãos especiais ao universo da fotografia analógica, e funciona como sala de estar mais descolada da Santa Cecília , daquelas onde você chega pelo café e fica pela fotografia, ou ao contrário. Mas o projeto que virou notícia mesmo foi a ALT Camera.
A ALT é digital com alma analógica. Sem tela, sem vídeo. Só você e o clique, sem distrações. 8 megapixels, filtros de cor internos, flash de LED e memória microSD, tudo o que uma câmera precisa ter, e nada do que ela não precisa. Num mercado onde os celulares nos empurram para editar antes de sentir, a ALT propõe o contrário: registre, guarde, veja depois. É uma câmera que ensina a ter paciência com o momento.
Dot Energy: a bala que vai te acordar
Há uma percepção circulando pelas universidades e escritórios de São Paulo: não dá mais para depender do café que acabou e da lata de energético esquecida em casa. A Dot Energy entendeu isso antes de todo mundo.
Criada por jovens universitários paulistanos, a Dot é o primeiro energético em bala do Brasil. Cada pastilha tem 80mg de cafeína, 600mg de taurina, vitaminas B6 e B12, zero açúcar e apenas 6 calorias e, diferente do café ou de um energético líquido, é absorvida pela mucosa da boca. Faz efeito em 3 a 5 minutos, sem o pico brusco de cafeína que costuma derrubá-lo depois. O produto é vegano, aprovado pela Anvisa e cabe na palma da mão.
É energia portátil, democrática, discreta. Do jeito que São Paulo precisa.
Class: da laje da avó para o Japão
Eric Cesar e Rafaela Sayuri fundaram a Class em 2014 com uma máquina de costura numa laje em Santo André, comprada com os R$ 1.500 da rescisão do emprego de Eric. Eles não sabiam costurar. Chamaram uma tia que acabara de quebrar a perna e estava sem emprego. E dali nasceram os primeiros bonés.
O que veio depois foi uma das marcas de streetwear mais respeitadas do Brasil, com coleções esgotadas em minutos, fã-base no Japão e roupas no corpo de Mano Brown e Marcelo D2. A filosofia da Class vive no contraste que eles mesmos definem: lixo e luxo, improviso e sofisticação, funk e bossa nova, centro e periferia. A pichação paulista convive com referências ao concretismo de Luiz Sacilotto, a estética da rua dialoga com a alfaiataria italiana. Tudo isso nasceu numa laje do ABC Paulista.
São Paulo tem esse jeito de fazer com que as coisas pequenas pareçam inevitáveis depois que aparecem. Uma câmera que recusa ter tela, uma bala que acorda você em cinco minutos e uma marca de roupa que virou culto no mundo a partir de uma laje.
Quando você encontrar qualquer um desses produtos, lembre-se que, provavelmente, tem mais por vir.







