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Otavia Sommavilla é confeiteira especializada em decoração artística de bolos, além de professora, criadora de conteúdo digital e autora de livros. Aos sábados nesta coluna ela vai falar da sobremesa e ampliará o leque, dividindo com os leitores truques e curiosidades sobre a confeitaria, desvendando trends e ensinando receitas desejadas

Hot Cross Buns

Confira a história da receita tradicional de Páscoa da Inglaterra e o modo de preparo

Por Otavia Sommavilla
28 fev 2026, 08h00 •
hot-cross-buns
 (Otavia Sommavilla/Reprodução)
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  • Que tal percorrer o mundo comigo descobrindo receitas deliciosamente típicas desta época do ano — receitas que vão muito além dos ovos de chocolate? Para esta semana, o destino é a Inglaterra.

    No coração da tradição inglesa de Páscoa, existe um pãozinho doce que carrega séculos de história, simbolismo e até superstição: o hot cross bun.

    A massa dele é enriquecida com passas e especiarias como canela, noz-moscada e cardamomo, e ele é tradicionalmente consumido na Sexta-feira Santa tanto no Reino Unido como em países do antigo Império Britânico. A tradição diz que a cruz sobre os pães representa a crucificação de Jesus Cristo, e as especiarias simbolizam os aromas usados para embalsamar seu corpo após a crucificação.

    Alguns historiadores contestam a origem exclusivamente pascal dos pãezinhos, argumentando que, embora o formato mais conhecido seja cristão, a prática de marcar pães com um símbolo não é exclusividade do cristianismo. Povos antigos — incluindo gregos e romanos — já assavam pães marcados com cruzes como oferendas em festas sazonais, possivelmente ligadas ao calendário lunar ou a rituais de fertilidade.

    Já no contexto cristão europeu, a prática de comer cross buns na Páscoa consolidou-se na Inglaterra medieval. O relato mais antigo plausível sobre o antecessor direto dos hot cross buns remonta ao século XIV, quando um monge teria teria criado bolinhos marcados com uma cruz e distribuído aos pobres na Sexta-feira Santa de 1361 — o que provavelmente inspirou os pães que conhecemos hoje.

    Foi só no século XVIII que a expressão hot cross buns aparece em registros mais definitivos. Uma velha rima de vendedores ambulantes em Londres estampou as páginas do Poor Robin’s Almanac em 1733: “Good Friday comes this month, the old woman runs, / With one or two a penny hot cross buns.” A mesma rima mais tarde também inspiraria uma conhecida cantiga infantil, até hoje lembrada na Inglaterra.

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    Além do simbolismo religioso, a cultura popular inglesa incorporou todo tipo de crença ao redor desses pãezinhos. Dizia-se que hot cross buns assados na Sexta-Feira Santa não mofariam por um ano inteiro, que afastariam espíritos malignos se pendurados no teto da cozinha e até que protegeriam marinheiros do naufrágio se levados a bordo.

    Uma tradição curiosa ainda persiste em um pub no leste de Londres, o The Widow’s Son, onde um hot cross bun é pendurado sobre o balcão a cada ano em memória de um marinheiro perdido — um costume que mistura lenda, comida e história.

    A cruz, tão característica do pãozinho, pode ser feita de duas maneiras: a dough cross, uma tira de massa de farinha e água adicionada antes do forno (costume inglês mais tradicional), ou a icing cross, uma cobertura de açúcar e água ou merengue aplicada após o cozimento (mais comum em versões modernas ou fora do Reino Unido).

    Hoje, embora permaneçam uma tradição robusta de Páscoa — disponíveis nas padarias britânicas logo após o Natal —, os hot cross buns também cruzaram fronteiras e paladares, sendo reinterpretados em versões com chocolate, caramelo, frutas cítricas e até sabores salgados nos mercados mais sofisticados.

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    Trouxe uma versão da receita que rende bolinhos fofos e saborosos e optei por fazer a famosa cruz com a pasta de farinha, bem “ old school”. Um último detalhe importante: Você deve estar se perguntando porque eles são chamados de “ hot” cross buns: Eles são especialmente saborosos servidos cortados ao meio e tostados com manteiga.

    Confira a receita do hot cross buns:

    50 ml de leite integral

    185 ml de água morna

    500 g de farinha de trigo

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    50 g de açúcar

    35 g de manteiga sem sal amolecida

    1 ovo

    5 g de sal

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    10 g ( 1 pacotinho) de fermento seco para pão

    100 g de passas

    5 g ( 1 colher de chá) de canela em pó

    1 pratada de noz moscada ralada.

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    Geleia de damasco para pincelar

    Farinha de trigo extra para a cruz

    Misture leite , água morna e fermento em uma tigela e reserve. Na tigela da batedeira coloque farinha ,canela açúcar, ovo e manteiga. Comece a bater com o gancho, junte o sal e em seguida a mistura de água e fermento. Bata no gancho até a massa descolar das laterais da tigela.Junte as passas e misture bem. É importante que a massa fique homogênea , não grude nas mãos mas ainda tenha bastante umidade . Ela não pode estar dura e seca. Se precisar ajuste a quantidade de farinha.

    Cubra a massa com um pano e deixe crescer até dobrar de volume , o que leva cerca de 1 hora. Abaixe a massa com as mãos e divida em 12 porções, forma do bolinhas. Deixe crescer novamente até dobrar de volume de novo. Preaqueça o forno a 180 graus.

    Prepare a massa de farinha:

    Coloque 75 g de farinha de trigo em uma pequena tigela e junte água em temperatura ambiente até obter uma pasta consistente. Coloque em um saco de confeitar e desenhe dois traços em formato de cruz.

    Leve os pãezinhos ao forno e deixe assar até crescer e dourar. Assim que saírem do forno, pincele com geleia de damasco .

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