“É urgente atingir muitas pessoas”, diz britânica Es Devlin, em cartaz em SP
Com trinta anos de carreira, artista já trabalhou com superestrelas como Lady Gaga, Bad Bunny e Beyoncé
A cenógrafa e artista britânica Es Devlin está em cartaz na Casa Bradesco até o dia 27 de julho, com a exposição Sou o Outro do Outro. A mostra é composta de seis instalações imersivas e interativas, desenvolvidas com a equipe da instituição aqui na capital paulista.
Há mais de três décadas, a britânica de 54 anos se divide entre o trabalho como artista plástica e como cenógrafa — ela é responsável pelo espetáculo visual visto em turnês de nomes como Lady Gaga, Bad Bunny e Beyoncé, e por grandes eventos, como a abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016.
Saiba mais sobre a exposição aqui e confira a entrevista com Es abaixo.
Três perguntas para Es Devlin
O que busca transmitir com sua arte?
Nesse momento, em que há cada vez mais divisão entre as pessoas, a coisa mais urgente para a arte oferecer é uma renúncia da separação e um entendimento de que nós estamos em continuidade com o planeta e uns com os outros. Toda ação está conectada. Não existe ação individual.
Como foi fazer as obras no Brasil?
Foi uma alegria o processo com a equipe daqui. O que me chamou mais atenção foi a determinação em trabalhar com o que está à mão. Lembro que Daniela Thomas [com quem Es trabalhou nas Olimpíadas] me ensinou a palavra para isso: “jeitinho”. E a atitude dos brasileiros para com o outro é muito particular, vocês são muito acolhedores.
Quais as diferenças em produzir para um palco e para uma galeria?
É sempre sobre intimidade e compartilhar uma observação sobre esse planeta — em escalas variadas. Se estou trabalhando em um estádio, preciso ajudar os artistas com quem eu colaboro a serem íntimos e transmitirem suas verdades em grande escala. É urgente atingir muitas pessoas, não temos muito tempo sobrando. Falar com uma pessoa é poderoso. Falar com 100 000 é mais ainda.
Publicado em VEJA São Paulo de 20 de março de 2026, edição nº 2987.







