“A BR-230, na verdade, trouxe destruição”, diz Janaina Wagner, no Masp
Cineasta exibe trilogia de vídeos sobre a Transamazônica em mostra, que marca a estreia do curta 'Quando o Segundo Sol Chegar/Um Cometa nos Teus Olhos'

Os impactos da rodovia Transamazônica (a BR-230) na população, na fauna e na flora locais, a partir de um viés fantástico. Esse é o tema das
três obras audiovisuais que compõem a Sala de Vídeo: Janaina Wagner, exposição que inaugura a programação de 2025 do Masp, dedicada ao tema Histórias da Ecologia.
A cineasta e artista visual paulistana encerra sua trilogia com a estreia de sobre Quando o Segundo Sol Chegar/Um Cometa nos Teus Olhos (2025). Precedem este lançamento, os vídeos Curupira e a Máquina do Destino (2021) e Quebrante (2024), que estreou no Festival de Cinema de Berlim. Confira a entrevista abaixo.

+ Masp exibe trilogia de vídeos sobre a rodovia Transamazônica
O que te atraiu na BR-230?
Primeiro, pensei na lenda do Curupira, essa força do caos que regula a floresta, como uma chave para falar sobre o desmatamento no Brasil. Ela não está mais na floresta, mas sim na estrada, porque teve seu território devastado. A ideia de localizar na Transamazônica veio daí. Outro ponto é o que essa rodovia significa na história do país, por ser talvez a maior obra do governo cívico-militar, um símbolo de progresso, que, na verdade, trouxe muita destruição. Ela acabou virando um personagem.
Como os três filmes se conectam?
Eles acontecem em locais muito diferentes da estrada, que atravessa o país como um corte no território, mas são todos povoados de ‘fantasmas’, pedaços invisibilizados da história, mas ainda latentes.
A rodovia estará em seus próximos trabalhos?
Não. Era realmente para ser uma trilogia sobre a Transamazônica, encerrada com o Segundo Sol. Agora estou focada em outros projetos. Devo filmar a primeira parte de um longa esse ano, também na região do Amazonas, mas não na estrada. E seguindo esse viés ecológico.

Publicado em VEJA São Paulo de 14 de fevereiro de 2025, edição nº 2931.