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“Você precisa ouvir quem você quer ajudar”

Diário dos Sem-Quarentena: A chef Helena Pasqual dobrou a frequência de doações de alimento a moradores de rua durante o isolamento

Por Helena Pasqual, 32 anos em depoimento a Tatiane de Assis
19 jun 2020, 06h00 • Atualizado em 5 set 2025, 10h46
Equipe do Fogão de Rua em ação e a chef Helena Pasqual: ajuda baseada na escuta (Divulgação/ Leo Martins/Divulgação)
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  • Em 2016, um amigo (o empresário Luís Fernando Ribeiro) me pediu para ajudar na entrega de marmitas a moradores de rua no centro da cidade e eu aceitei na hora. No começo, era um projeto pequeno, a gente distribuía vinte, trinta refeições. Depois outra amiga entrou, a Erica Matusita, e deu uma força. Agora, são 500. O Fogão na Rua é como um filho para mim. Tudo é feito com o coração. Sou chef, amo cozinhar, então poder compartilhar comida com as pessoas é um jeito de dar afeto a quem está necessitando. Na primeira vez que participei da ação, fomos ao Teatro Municipal de São Paulo e levamos cachorros-quentes. O pessoal agradeceu, mas disse que precisava de outros itens, como água e roupas. Com o tempo, a gente foi incrementando. Você precisa ouvir quem você quer ajudar. Não adianta dar um armário se quem ganha não tem onde colocar. Somos mais de 100 pessoas e nos organizamos em um grupo de WhatsApp. Cada uma mobiliza sua rede para pedir doações. Recebemos alimentos, dinheiro, itens de higiene, cobertores e roupas. Fazemos uma triagem para identificar o que podemos ou não levar para a rua, como cestas básicas. Não compensa eu abrir uma cesta para pegar um item somente. É um desperdício. Por isso, a gente as envia para um projeto em Paraisópolis que auxilia famílias naquela área. Há um espaço de quinze dias entre a coleta de doações e a preparação das refeições. O que não recebemos, compramos com as doações feitas em dinheiro. Temos uma reserva e economizamos muito para sempre poder fazer mais.

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    Um dos kits distribuídos pelos voluntários

    No dia de distribuir comida, nosso trabalho se inicia às 10 horas, quando começamos a cozinhar. Normalmente vamos até as 17 horas, aí chegam os voluntários, que ajudam na montagem e no fechamento das marmitas. Depois, partimos para a entrega. Com a Covid-19 não podemos ter muita interação social com os moradores de rua. Devido à crise, também mudamos a frequência da ação para ajudar mais. Antes, fazíamos uma vez por mês, agora são duas. Para quem mora na rua, o coronavírus não mudou muita coisa, já que as pessoas continuam dormindo no chão, sem a possibilidade de se proteger. Elas não têm máscaras, nem lugar para tomar banho. O auxílio que recebiam diminuiu, já que os restaurantes estão fechados e nas ruas tem menos gente. Para quem vive nessa situação, não existe quarentena. É um problema social, que só piorou com a pandemia. No dia 27, vamos sair do centro e fazer uma ação na Brasilândia (Zona Norte). Para entendermos melhor as necessidades deles, fizemos uma reunião lá no dia 16. É um novo passo, é a primeira vez que iremos até esse bairro.”

    Publicado em VEJA SÃO PAULO de 24 de junho de 2020, edição nº 2692.

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