Avatar do usuário logado
Usuário

USP vai enviar pílulas contra o câncer pelo correio

A correria na procura da substância fosfoetanolamina sintética no campus de São Carlos, interior de São Paulo, levou à decisão da universidade

Por Estadão Conteúdo
17 out 2015, 14h40 • Atualizado em 5 dez 2016, 11h57
capsulas-usp
capsulas-usp (Reprodução/)
Continua após publicidade
  • Por conta do aumento da procura da fosfoetanolamina sintética, substância que muitos paciêntes acreditam ser capaz de combater o câncer, no campus de São Carlos (interior de São Paulo), a Universidade de São Paulo (USP) decidiu enviar pelo correio as cápsulas. A medida visa diminuir a correria ao campus. Com isso, os 742 doentes beneficiados por liminares terão de aguardar a fórmula em casa. A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica pretende apelar ao Supremo Tribunal Federal (STF) para barrar a distribuição.

    A procura ocorre no Instituto de Química de São Carlos (IQSC), que divulgou na sexta (16) um comunicado e uma cartilha com perguntas e respostas para orientar as pessoas. No material, a orientação é para que ninguém compareça no campus para buscar a substância, mesmo quem obteve autorização judicial. “O IQSC será notificado da liminar por oficial de Justiça e encaminhará a substância via Sedex/AR no endereço constante na petição inicial. O serviço do correio será cobrado do destinatário”, diz a nota.

    O instituto informa ainda que a encomenda “não é acompanhada de bula ou informações sobre eventuais contraindicações e efeitos colaterais”. E ressalta que “não dispõe de médico e não pode orientar nem prescrever a utilização da referida substância”. Também garante não ter “dados sobre a eficácia no tratamento dos diferentes tipos de câncer em seres humanos”.

    Presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Evanius Wiermann diz que a entidade pretende procurar o STF para tentar reverter a distribuição. “Estamos nos movimentando para tentar sensibilizar o Supremo Tribunal Federal (STF). O que nos preocupa é o uso de uma droga sem segurança comprovada. Essa situação está criando uma jurisprudência para que qualquer pessoa use uma substância que não tem comprovação científica.”

    Continua após a publicidade

    Entenda o caso

    A fosfoetanolamina foi estudada pelo professor aposentado Gilberto Orivaldo Chierice, que era ligado ao Grupo de Química Analítica e Tecnologia de Polímeros. Na ocasião, segundo o IQSC, algumas pessoas chegaram a usar a substância como medicamento, o que era permitido pela legislação. Surgiram então as primeiras informações de que a fórmula combateria o câncer. Desde o ano passado, qualquer droga experimental somente pode ser testada com o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Um homem chegou a fabricar a substância em casa e foi preso.

    O instituto informou ainda que não distribui a fosfoetanolamina, porque a USP não assumiu a titularidade das pesquisas de Chierice. Entretanto, como tem capacidade de produção, o IQSC tem sido obrigado pela Justiça a fazer a droga sintética. A substância não foi testada clinicamente. O criador diz que chegou a acionar a Anvisa e não obteve retorno. Já o órgão divulgou nota nesta semana para garantir que nunca foi procurado para qualquer análise.

    VEJA TAMBÉM

    + Linhas de ônibus terão trajeto alterado na Avenida Paulista aos domingos

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Impressa + Digital no App
    Impressa + Digital
    Impressa + Digital no App

    Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.

    Assinando Veja você recebe semanalmente Veja SP* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
    *Assinantes da cidade do SP

    A partir de 29,90/mês