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Mercado de turismo de luxo paulistano se fortalece com serviços personalizados

Agências do setor, como Latitudes e Matueté, criam roteiros cada vez mais exclusivos para fugir do óbvio, uma tendência de 2026

Por Mattheus Goto
31 jan 2026, 08h00 •
Novas tendências no mercado do turismo de luxo
Novas tendências no mercado do turismo de luxo (Divulgação/Divulgação)
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  • Planejar uma viagem por conta própria pressupõe adentrar um universo ilimitado de informações e filtrá-las em diversas plataformas de hospedagens, passeios e passagens aéreas. Difícil é encontrar, em meio a tanta oferta, opções que fogem dos roteiros mais batidos.

    Para o viajante que busca experiências menos óbvias, e pode pagar por elas, o papel das agências de turismo de luxo se fortalece. Atuando como travel designers, elas oferecem viagens pensadas para quem quer ir além e fugir da mesmice. Mais do que um agente de viagens, esse profissional se de dica a criar roteiros e sugerir experiências de ponta a ponta, em sintonia com o perfil e os desejos de cada viajante. Tudo, claro, com muito conforto.

    “Só faltam estender um tapete vermelho”, descreve a fotógrafa Fernanda Iunes, 67, que viaja com a Latitudes, agência especializada neste tipo de serviço. A fotógrafa já jantou com um marajá (título dado a príncipes e reis) na Índia e percorreu de trem dez países dos Balcãs, região no sudeste da Europa. Em cada um, ela conta, os clientes eram presenteados com uma lembrancinha do lugar e um envelope com o equivalente a 10 reais na moeda local.

    Índia: viagem memorável
    Índia: viagem memorável (Divulgação/Divulgação)

    As regalias ainda podem incluir serviço médico, todos os transportes necessários para os deslocamentos e um cronograma completo de alimentação. “É um cuidado a mais muito gostoso”, completa Fernanda. “Eles são extremamente atentos aos detalhes, cuidam de tudo e têm uma logística impecável”, acrescenta o executivo Fábio Coelho, 61, que já fez uma volta ao mundo por dez países e visitou a África, também com a Latitudes.

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    Outra tendência, além de evitar os circuitos mais turísticos, é pro curar experiências imersivas. “Para 2026, o que tem se tornado cada vez mais frequente, principal mente entre os clientes de alto padrão, é fugir de destinos de massa”, comenta Alexandre Cymbalista, CEO e fundador da Latitudes. “Eles querem lugares isolados e únicos, uma experiência com privacidade e autenticidade e até de difícil acesso”, analisa. “A busca é por conexão com a natureza e culturas mais distantes, ou seja, almejam mergulhar no interior de um país.”

    Alexandre Cymbalista, CEO e fundador da Latitudes
    Alexandre Cymbalista, CEO e fundador da Latitudes (Divulgação/Divulgação)

    De olho na demanda, a empresa tem se diferenciado ao promover viagens com especialistas, no intuito de agregar conhecimento à jornada. “Os roteiros ficam mais ricos e interessantes, com aprendizados importantes”, comenta Cymbalista.

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    Por meio dos pacotes oferecidos, é possível ter como companheiros de viagem, por exemplo, a psicanalista Maria Homem, o rabino Nilton Bonder, o físico Marcelo Gleiser, a zen-budista Monja Cohen ou o filósofo Luiz Felipe Pondé.

    Estes dois últimos embarcam em junho em um cruzeiro da Latitudes rumo ao Ártico. Na viagem (os pacotes variam de 54 000 a 217 000 reais por pessoa), a dupla conduzirá conversas sobre temas como o tempo, a natureza e a existência.

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    Viagem da Latitudes: cruzeiro pelo Ártico com Monja Coen e Luiz Felipe Pondé (Divulgação/Divulgação)
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    Entre os destinos nacionais em alta para este ano estão o Pantanal, os Cânions do Viana, na Serra da Capivara (Piauí), e a Amazônia, onde ocorreu a COP30 no fim de 2025. Lá fora a atenção deve se voltar para a China, a Ásia Central (Uzbequistão e Turcomenistão, por exemplo), a África Ocidental (Benin, Togo, Senegal e Gana), a Noruega, o Ártico e as Dolomitas, cadeia montanhosa dos Alpes italianos, que sedia os Jogos Olímpicos de Inverno a partir de segunda (2).

    Pedra furada, no Parque Nacional da Serra da Capivara
    Pedra furada, no Parque Nacional da Serra da Capivara (Valdemir Cunha/Acervo Dedoc)
    Registro da aurora boreal feito por Fernanda Iunes na Noruega
    Registro da aurora boreal feito por Fernanda Iunes na Noruega (Fernanda Iunes/Acervo Dedoc)
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    “O papel das agências de turismo era conseguir a melhor barganha para o viajante. Com a chegada das online travel agencies, tivemos que nos reinventar”, explica Gabriela Figueiredo, sócia da Matueté, que nasceu em 2002 com o intuito de levar os brasileiros a conhecer o Brasil e depois expandiu para a atuação internacional.

    Hoje, a empresa se define como uma produtora de viagens, com hospedagens personalizadas. “O turismo de luxo vai ficando cada vez mais otimizado.” Com um mundo tão grande a ser explorado, o céu é o limite. ■

    Gabriela Figueiredo, sócia da Matueté, em Foz do Iguaçu
    Gabriela Figueiredo, sócia da Matueté, em Foz do Iguaçu (Acervo pessoal/Divulgação)

    Publicado em VEJA São Paulo de 30 de janeiro de 2025, edição nº 2980

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