Surto de gastroenterite no litoral causa falta de remédios e filas nas unidades de saúde

Moradores e visitantes do Guarujá e Praia Grande afirmam falha na infraestrutura

Por Luana Machado
Atualizado em 9 jan 2025, 20h40 - Publicado em 9 jan 2025, 20h37
Litoral sp surto virose
Rejeitos na Praia da Enseada, no Guarujá: imprópria (Allison Sales/ Folhapress/Reprodução)
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A veranista Joyce Ribeiro, 41, dona de um apartamento na Vila Tupi, em Praia Grande, precisou interromper as comemorações natalinas quando apresentou sintomas de náusea e vômito no dia 24. “Passei o Natal na cama. Foram trinta horas sem conseguir comer com dor na barriga e sonolência”, lembra.

Nos dias seguintes, os familiares dela apresentaram sintomas similares. “Tivemos que levar meu filho de 2 anos para o hospital. Ficamos três horas no Ana Costa sem atendimento. Dois dias depois conseguimos no Hospital Igesp, onde a médica disse que chegou a atender 170 crianças em um dia”, diz Caroline Ortiz, cunhada de Joyce.

Vítimas do surto de gastroenterite aguda que atinge regiões do litoral paulista, em especial Praia Grande e Guarujá, a família sofreu com a escassez de medicamentos nas farmácias. Hospedado no Guarujá, o estudante João Borba, 20, não conseguiu comprar nem mesmo itens para hidratação. “Uma atendente me disse que o Gatorade está tendo mais procura que cigarro. Os estoques acabam assim que chegam”, conta.

Para atender à demanda, as secretarias de Saúde de Praia Grande, que registrou nas primeiras semanas do ano 7 000 atendimentos nos setores de Urgência e Emergência, e do Guarujá, que contabilizou 2064 casos da doença em dezembro, estenderam o horário das unidades de saúde.

A coordenadora em saúde de Controle de Doenças do estado, Regiane de Paula, afirmou que a causa do surto ainda não foi confirmada. “Estamos aguardando a conclusão da análise das amostras realizadas pelo Instituto Adolfo Lutz”, indicou nesta segunda-feira (6), durante reunião com o grupo técnico da pasta e os nove secretários municipais de saúde.

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A gestão também alertou a população para os principais sintomas, como diarreia, mal-estar abdominal, náusea, vômito e febre. “É uma inflamação repentina de causa infecciosa que acredito ser causada por um vírus. Esse tipo de doença é transmitida por água e alimentos contaminados, por isso esse crescimento do número de casos. Existe também um cenário que facilita: chuva, calor e superlotação sem uma rede de esgoto apropriada”, informa a infectologista Rosana Richtmann, do Instituto Emílio Ribas.

De acordo com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), que publica boletins semanais da  qualidade das águas de 175 praias paulistas, 38 delas estão impróprias para banho, sendo duas no Guarujá (Perequê e Enseada) e outras seis em Praia Grande (Aviação, Vila Tupi, Vila Mirim, Maracanã, Real e Balneário Floripa).

Litoral sp surto virose
Vila Tupi, em Praia Grande: esgoto corre livre para o mar (Acervo pessoal/Reprodução)
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Joyce Ribeiro, que passa a temporada na Vila Tupi, aponta uma falha na infraestrutura de Praia Grande: “Tiraram muitos quiosques e só estão instalando banheiros públicos agora. Então, o mar acaba sendo uma opção para as pessoas se aliviarem.”

Nas redes sociais, com a repercussão do surto, muitos turistas e moradores dos municípios atingidos registraram imagens dos esgotos desembocando na areia.

“É uma situação muito complexa. As cidades devem equipar com mais profissionais da saúde e mais insumos nas farmácias, até para aliviar o fluxo nas unidades de saúde. Além disso, as prefeituras precisam educar a população sobre tratamentos caseiros. Ensinar a fazer soro, a realizar um isolamento adequado de pessoas contaminadas, por exemplo”, diz Rosana.

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Proteja-se das doenças de verão: três cuidados básicos segundo a infectologista Rosana Richtmann

  •  Cuidado com o que consome. Evite alimentos perecíveis fora de casa, em especial produtos como maionese e manteiga.
  • Hidrate-se. Beber água é essencial, mas é preciso ficar atento à origem. Sempre preferir água mineral, devidamente lacrada.
  • Lave as mãos. As principais bactérias e vírus que atacam nesse período têm ciclo oral-fecal. Por isso, a higiene das mãos é imprescindível!

Publicado em VEJA São Paulo de 10 de janeiro de 2025, edição nº 2926

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