Avatar do usuário logado
Usuário

Estiagem em Itu levou a saques e ataques a políticos

Com pouco mais de 13% da população da cidade de São Paulo, cidade teve o pior ano de seca em 2014

Por Mariana Oliveira 11 fev 2015, 12h13 | Atualizado em 17 Maio 2024, 17h24
Itu - falta de água
Itu - falta de água (Mariana Oliveira/)
Continua após publicidade

 

A rotina dos quase 166 000 moradores de Itu, cidade a 101 quilômetros da capital paulista, mudou no final de 2013. Os constantes cortes do abastecimento de água prenunciavam a estiagem que afetaria os principais reservatórios no ano seguinte, levando à beira do colapso o abastecimento de água no estado. Passar dias com as torneiras secas tornou-se algo cotidiano na cidade, algo que os paulistanos também passaram a enfrentar nos últimos tempos, embora o governo negue que haja racionamento.

+ Confira o especial sobre a seca em São Paulo

Algumas regiões de Itu, como o bairro Parque Industrial, chegaram a ficar cerca de 50 dias sem água. A situação extrema revoltou os moradores da cidade. Em setembro do ano passado, um grupo se organizou e invadiu a Câmara Municipal para protestar contra o desabastecimento. Durante a manifestação, o prédio chegou a ser atingido por pedradas e o presidente da Casa, o vereador Marco Aurélio Bastos (PSD), foi atingido por um ovo.

+ ‘Gato’ de água desviou 2,6 bilhões de litros, diz Sabesp

A pressão dos ituanos resultou na criação do Comitê de Gestão da Águam, que pressionou a concessionária responsável, Águas de Itu, para que medidas imediatas fossem colocadas em prática. “A comissão atuou como se estivesse em um campo de batalha. Era preciso abastecer a casa das pessoas urgente”, explica o Coronel Marco Antonio Augusto, secretário municipal de Segurança, Trânsito e Transportes, nomeado porta-voz da iniciativa.

Continua após a publicidade

+ Churrascaria na Zona Sul cancela almoço por falta de água

Itu - falta de água
Itu – falta de água ()

As medidas paliativas somavam mais caminhões-pipas nas ruas e caixas de 20 000 litros em pontos estratégicos da cidade. Mesmo assim, muitos moradores contam não terem sido atendidos por nenhuma dessas ações. “Liguei para o número que a concessionária disponibilizou mais de três vezes para conseguir que o caminhão-pipa chegasse até a minha casa”, conta a moradora da Rua Patrocínio, Maria de Fátima, de 58 anos.

+ Feira Gastronômica Panela na Rua reduz a conta de água em 80%

Continua após a publicidade

“Ficamos sessenta dias sem água e não tínhamos condições de ir pegar em outro lugar, pois meu marido tinha acabado de amputar os dedos do pé”, lamenta. Para contornar a seca, a população ficava horas em filas de bicas e poços artesianos, ou compravam água de fornecedores que mantinham fontes em suas propriedades, normalmente pagando cerca de 100 reais por 1 000 litros. 

ESCOLTA

Itu
Itu ()

A situação do pequeno município ficou crítica a ponto de acontecerem roubos e ataques a caminhões de abastecimento. Quando os caminhões-pipas foram para as ruas, a partir de setembro do ano passado, transportando três milhões de litros de água por dia – quantidade comprada em cidades próximas – a população não ficou menos apreensiva.

“O caminhão esvaziava seus 15 metros cúbicos e precisava abastecer novamente, mas os moradores não permitiam que ele saísse com medo de ele não voltar”, comenta o diretor da Águas de Itu, Almir Bittencourt Pacelli Jr. “Chegaram a fechar ruas, o que fazia com que nós tivéssemos de mandar outro carro”, completa. Para contornar essas dificuldades, carros da Guarda Civil Municipal passaram a escoltar os veículos em todas as rotas diárias.

Continua após a publicidade

+ Cresce procura por caminhões-pipa; saiba como contratar o serviço

“PASSA A ÁGUA”

Além dos relatos de cidadãos que enfrentaram mais de uma hora nos pontos de distribuição de água e assistiram a assaltos durante esse período, o comércio também foi alvo de saques. Melissa Santos, dona de uma padaria no centro da, teve uma média de 6 000 litros roubados diretamente de seu reservatório. “Uma vizinha viu dois rapazes chegando com uma caminonete e ligando uma bomba na minha caixa d’água”, lembra a empresária. O jeito foi construir uma barreira de madeira para evitar novos roubos. 

Itu - falta de água
Itu – falta de água ()

O prejuízo financeiro para manter o comércio aberto girou em torno de 4 000 reais por mês durante todo o ano passado. A proprietária lamenta que a situação não esteja totalmente controlada e prevê o pior para 2015: “O racionamento não foi totalmente extinto. No período da tarde é muito comum não ter mais pressão nas torneiras”, lamenta. “Não quero passar pelo desespero de não poder oferecer coisas básicas como dar descarga para os meus próprios funcionários”.

Segundo o Coronel Marco Antonio Augusto, não há nenhum racionamento em Itu no momento. “Se parar de chover hoje, teremos reservatório para os próximos três meses”, declarou. Já a concessionária responsável, prometeu entregar a adutora Mombaça, às margens da estrada rural do Pau D’Alho, até o final de março. A obra deve captar 280 litros de água por segundo.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Revista em Casa + Digital Completo
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Completo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 39,99/mês