Revitalização do centro histórico de SP ganha Casa Zero 11
Projeto nativo de Recife (PE) vem para capital com proposta de dialogar com as comunidades e ser vitrine para mobilizações sociais
A revitalização do centro histórico de São Paulo prevê a instalação da Casa Zero 11, um projeto da Rede Muda Mundo, que busca impactar o território e suas comunidades ao redor. A iniciativa acontece paralelamente à transferência da sede do governo do estado para a região central da cidade.
O casarão do início do século XX deve passar por reformas e pretende ser um centro de vivência cultural para promover capacitação, lazer e, sobretudo, integração com as comunidades ao redor da casa.
Fábio Silva, CEO da Rede Muda Mundo, explica que o projeto nasceu em Recife com a primeira Casa Zero 81, em referência ao DDD pernambucano.
A iniciativa ocupará um casarão tombado em que atualmente abriga a Unidade de Ensino Centro-Oeste, na Avenida Rio Branco, em frente do local da futura sede do governo.
Com a desocupação do espaço na primeira quinzena de janeiro de 2026, a equipe da Casa Zero 11 estuda parcerias com empresas, instituições e organizações sociais para poder dar início às atividades ainda no primeiro semestre do próximo ano.
O projeto está em desenvolvimento desde a assinatura da parceria com o Governo do Estado, em abril, e passa pela fase de burocracias, diagnóstico e desenho do projeto arquitetônico. Ao todo são quatro fases, sendo as próximas duas de obra e mobilização do território e a inauguração.
A Veja São Paulo foi visitar o espaço e conhecer a iniciativa.
Planos para a Casa Zero 11
O prédio que passará por adaptações pontuais deve receber auditórios, estúdios de gravação, salas de aula para capacitação profissional, além de outras estruturas que fomentem o desenvolvimento territorial e inclusão social.
A Casa Zero 11 também se relaciona diretamente com o Programa Superação do governo estadual, que busca impactar a qualidade de vida de famílias em vulnerabilidade social com inclusão produtiva, a partir de capacitação profissional e apoio para a entrada no mercado.
Em tour guiado pela coordenadora da Casa Zero 11, Beatriz de Souza Ribeiro, afirma que a proposta é formar um núcleo para os diversos projetos que já existem na região. Serão captados diversas instituições sociais, sejam públicas, privadas ou do terceiro setor.
“A iniciativa já iniciou o diálogo com organizações do terceiro setor que atuam no território, como parte do processo de escuta e construção coletiva do projeto”, diz Beatriz.
Há uma expectativa de buscar patrocinadores e projetos sociais para ocupar o imóvel. Fábio menciona, por exemplo, duas parcerias que estão em andamento com o Instituto Stone e a Sebrae.
“Começamos a entender que é um projeto para participar da revitalização dos centros históricos e suas revitalizações […] Acreditamos que daqui de São Paulo vai acontecer um movimento para o Brasil, que tem a ver com as revitalizações, com a economia criativa e com a qualificação profissional e geração de renda”, prevê o CEO.
Chamado de ‘shopping cultural’, a coordenadora Beatriz explica que a Casa além de funcionar como um espaço de oferta de cursos e produtos da economia da própria comunidade, também deve servir como vitrine para as iniciativas de impacto de SP. Em sua visão, ao visibilizar essas mobilizações, novas ideias de projetos também podem surgir.
Parceria acadêmica
A Casa Zero 11 está em vias de firmar parceria com o Núcleo de Urbanismo Social e Segurança Pública do Insper em três diferentes frentes: o diagnóstico e mensuração do impacto, mobilização territorial e sistematização metodológica. Essa parceria deve contribuir com a seleção dos projetos sociais , de forma que se relacionem melhor com o território.
Além do Insper, um imóvel da Unesp localizado ao lado da Casa Zero 11, que já chegou a ser uma das sedes da instituição de ensino, abre oportunidades para colaborações com a universidade pública. Segundo Beatriz, o projeto tem dialogado sobre a criação de possíveis projetos de extensão.
Fábio também ressalta a importância da parceria com a comunidade acadêmica tendo em vista a expectativa do desenvolvimento de um polo de tecnologia na região central de SP futuramente.
Casa Zero 81
A primeira unidade do projeto em Recife completou 3 anos em 2025, totalizando cerca de 60 mil visitantes no local. Com o apoio de mais de 100 empresas, um prédio da prefeitura, que estava fechado há mais de 20 anos, na Rua do Bom Jesus, centro histórico de Recife, foi transformado na Casa Zero 81.
A revitalização do prédio resultou em áreas, como loja colaborativa, salas de aula de oficinas, biblioteca, auditório, estúdios e café gourmet, para receber a população.
Outra unidade também já está prevista, a Casa Zero 83, de João Pessoa, na Paraíba.





