Parque a 1 hora da capital tem cachoeira, off road e vista para o litoral
Caminhos do Mar, em São Bernardo do Campo, oferece passeios na terra, na água e no ar

Primeira ligação rodoviária entre o planalto e o litoral, a Rodovia Caminho do Mar, também conhecida como Estrada Velha de Santos, foi por décadas a principal via de acesso às praias paulistas.
Com a construção das rodovias Anchieta (em 1947) e Imigrantes (1976), o caminho foi perdendo protagonismo e seu trecho de serra foi desativado em 1994. Desde então, a velha e sinuosa estrada virou um parque e se transformou em um importante polo de ecoturismo, pois está cercada de trilhas e cachoeiras. A maior transformação ocorreu há quase quatro anos, quando o Parque Caminhos do Mar foi concedido à iniciativa privada.

Atualmente, há duas trilhas disponíveis: Calçada do Lorena, com 3,5 quilômetros de extensão (e a mesma distância para voltar), e a trilha da Cachoeira da Torre, com 9 quilômetros de altos e baixos (ida e volta). Outra opção de passeio é descer a pé 8 quilômetros pelo asfalto da Estrada Velha, entre São Bernardo do Campo e Cubatão, em um roteiro que contempla a natureza e a história do Brasil. Nesse último, quem não quiser retornar no mesmo modal pode fazer o trajeto por uma van.
Os ingressos custam a partir de 20 reais (meia-entrada) e dão acesso às três atividades.
Além das atrações a pé, o parque oferece tirolesa e aluguel de caiaques, stand-up paddle e bike. A novidade é um recém-lançado passeio em um veículo off-road, realizado com a presença de um guia que conta a história do lugar.

Na sexta, 28 de fevereiro, a reportagem de Vejinha esteve no local mais uma vez para conferir as mais novas atrações.
Os detalhes estão a seguir.

Utilitário off-road
Mais nova atração do Parque Caminhos do Mar, o passeio a bordo de um veículo utilitário off-road é realizado com a presença de uma guia que conta aos passageiros as histórias do lugar e de sua biodiversidade. Por cerca de duas horas, os viajantes ouvem, por exemplo, que os oito monumentos erguidos ao longo da estrada, em 1922, em comemoração aos 100 anos da Independência do Brasil, têm, cada um, sua importância. Um deles é o Rancho da Maioridade, uma casa de pedras que acabou de ser restaurada e possui vista de 360 graus para o litoral. O passeio com o utilitário termina no Café 1922, instalado no Pouso de Paranapiacaba, outra edificação histórica do parque. Ali, o cliente que contratou o off-road recebe um café, um pão de queijo e um pastel de nata, especialidade da casa. Há saídas diárias, às 10h e às 14h, e o programa custa a partir de 150 reais por pessoa.

Tirolesa
Que tal deslizar a 60 quilômetros por hora e a 110 metros de altura com a Serra do Mar e a impressionante imagem do Litoral Sul paulista a seus pés? Antes de seguir, a grande dica é acompanhar a previsão do tempo e optar por períodos intermediários do dia, momentos em que a neblina não costuma dar as caras por lá. Na sexta (28), quando a reportagem fez o passeio, a visibilidade estava prejudicada, mas não faltou emoção durante os sessenta segundos de trajeto. Para descer pela tirolesa, o cliente precisa ter entre 40 e 110 quilos, além de possuir mais de 5 anos de idade. O ingresso custa entre 105 reais (voo duplo) e 165 reais (voo exclusivo), e inclui o bilhete de entrada no parque. Há a opção de contratação de um combo com tirolesa e o passeio de utilitário off-road (200 reais por pessoa).

Caiaque e stand-up paddle
Um dos últimos reservatórios da região de planalto, o Rio das Pedras possui águas claras e limpas. Localizada dentro do parque, pouco antes do acesso à descida pela Estrada Velha, a represa foi inaugurada em 1926 e agora é um dos atrativos preferidos dos turistas. Nos fins de semana, o parque oferece aluguel de caiaque, canoa e stand-up paddle. Os preços partem de 50 reais, por 45 minutos, tempo suficiente para quem pretende remar entre as ilhas artificiais do local. Também é possível levar os próprios equipamentos, a um custo de 35 reais para a utilização no local. A exemplo da tirolesa, vale acompanhar a previsão do tempo, para que a neblina que cai no local não prejudique a visibilidade por lá. Caso isso ocorra, a atração é suspensa.

As curvas da estrada
Principal atração do parque, a descida a pé pela Serra do Mar possui 8 quilômetros de extensão. Há dois jeitos de voltar: a pé ou de van, contratada na bilheteria. Pelo caminho, além de ver e sentir o cheiro da vegetação da Mata Atlântica, o turista tem vários trechos com vistas espetaculares do litoral. A mais concorrida e clicada é a que fica na Curva do Uau, cerca de 1 quilômetro depois do início do passeio. Ao todo, o caminho possui oito monumentos, como casarões e observatórios. Cada um deles vale uma parada. Um dos pontos mais interessantes da viagem é a vista de perto dos dutos da Usina Henry Borden, construídos para gerar energia em Cubatão. Para o trajeto, é recomendável usar roupas leves, protetor solar e repelente. O parque oferece alguns pontos de venda de alimentos e o recomendado é levar frutas e água.

Calçada do Lorena
Também requisitado pelos turistas, o caminho de pedras e rochas, construído no século XVIII, era utilizado para o transporte de produtos entre litoral e planalto. Foi por ali que dom Pedro I passou antes de proclamar a Independência do Brasil, em 1822. Atualmente, a passagem tem 3,5 quilômetros (mais o mesmo trecho para voltar) e se encontra com a Estrada Velha em três trechos. Ou seja, é possível usar as duas vias para contemplar um passeio completo. Não é necessário adquirir ingressos à parte nem fazer agendamento. O local abre às 8h. Às 14h o acesso é fechado para novos pedestres, para que ninguém fique preso quando o parque fechar, às 17h. Por se tratar de local de mata, animais (como cobras) podem ser vistos durante o trajeto.

Cachoeira da torre
Liberada há pouco mais de um ano, a trilha para a cachoeira tem 9 quilômetros de extensão (ida e volta). Na sexta (28), a reportagem fez o percurso em pouco mais de quatro horas, incluindo uma hora de descanso. Com borda infinita natural, a queda d’água permite banhos, mas é preciso respeitar os limites do lugar. O acesso é considerado difícil (são seis morros pelo caminho) e requer bom condicionamento físico dos viajantes, além de roupas e acessórios apropriados. No fim, o barulho da cachoeira e a água gelada compensam o esforço. Mas ainda tem a volta. O passeio é feito apenas com agendamento no site do parque.
O repórter Sérgio Quintella visitou a região a convite do Parque Caminhos do Mar.
Publicado em VEJA São Paulo de 7 de março de 2025, edição nº 2934.