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Silencioso e sem cores, “O Artista” registra os primeiros passos do cinema

Filme narra ascensão e queda de um ator para contar a história da sétima arte

Por Bruno Machado 3 fev 2012, 18h00 • Atualizado em 18 ago 2025, 12h34
  • Minutos antes de ser exibido em Cannes, “O Artista” não empolgou os críticos. Passados dez minutos de projeção, os semblantes se desanuviaram, embora não houvesse cores ou sons: o filme havia cativado a audiência, e seu protagonista, Jean Dujardin, deixou o festival com a Palma de Ouro em mãos.

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    “O Artista”  já colecionou prêmios ao redor do mundo e segue cotado como o vencedor do Oscar de Melhor Filme. O filme parece mesmo ter sido feito sob medida para agradar a Academia: do humor chapliniano aos close-ups de Sergei Eisenstein, passa por referências a Orson Welles e o seu “Cidadão Kane” e à filmografia de Fred Astaire. Ou seja, o longa é uma grande homenagem às raízes do cinema e, a despeito da definição do diretor Michel Hazanavicius e de seu orçamento de US$ 15 milhões, ele nada tem de modesto.

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    Hazanavicius parte de uma ideia simples e não inédita em Hollywood: narrar, da ascensão à ruina, a trajetória de uma estrela de cinema. O artista do título é George Valentin (Jean Dujardin), um astro do cinema mudo que, enquanto amarga o ostracismo, observa a decolagem de Pepy Miller (Berénice Bejo) rumo ao estrelato nos filmes falados.

    Mais do que reconstruir a época – o longa passeia pelo nascimento dos filmes sonoros, registra a Grande Depressão de 1929 e vai até meados dos anos 30, quando o cinema começa a ganhar a definir sua linguagem, Hazanavicius é rigoroso ao reproduzir a estética cinematográfica da época, embora derrape com soluções fáceis no roteiro, como a inserção de humor nas cenas mais tensas.

    O filme vale o ingresso: por seu humor ingênuo, belas atuações e trilha sonora que faz jus ao cinema dos anos 20. E a exibição com mais de uma hora de diálogos pautados por cartelas não é exatamente um problema.

    Se o “O Artista” levar o Oscar em 26 de fevereiro, vai realizar um feito histórico. Mas a aposta ainda é arriscada, pois terá de brigar voto a voto com “A Invenção de Hugo Cabret”. Entre a homenagem ao cinema vinda da França e a produzida por Martin Scorsese, a academia pode optar, naturalmente, pela última. Isso não roubará os méritos do filme que apresenta ao espectador uma experiência cinematográfica em estado puro – ou, como já virou chavão entre os críticos, uma carta de amor ao cinema.

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