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MP solicita que prefeito Ricardo Nunes explique ação da GCM no Teatro de Contêiner

Agentes usaram spray de pimenta contra artistas da Companhia na terça (19); teatro é alvo de ordem de despejo

Por Laura Pereira Lima
20 ago 2025, 17h54 • Atualizado em 20 ago 2025, 18h55
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Fachada do teatro na Luz (Leo Martins/Veja SP)
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  • O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) convocou o prefeito Ricardo Nunes e outros membros da Prefeitura para explicarem intervenção da Guarda Civil Metropolitana (GCM) em prédio anexo ao Teatro de Contêiner, ocorrida na terça-feira (19).

    Na ação, os oficiais usaram spray de pimenta contra artistas do teatro e tentaram retirar integrante da companhia à força. O Teatro de Contêiner é alvo de ordem de despejo, com reintegração prevista para quinta (21).

    Além de Nunes, Totó Parente (Secretário Municipal de Cultura e Economia Criativa), Regina Célia da Silveira Santana (Secretária Municipal de Direitos Humanos e Cidadania) e Marcelo Vieira Salles (Subprefeito da ) deverão comparecer a reunião com o MP no dia 8 de setembro, para apuração sobre “violação dos princípios constitucionais e abuso de poder de agentes públicos”.

    O órgão solicita informações sobre quem autorizou a intervenção dos agentes da GCM. No despacho, o promotor Paulo Destro questiona quem autorizou a intervenção dos agentes da GCM e se existe algum mandado judicial ou ordem administrativa, que justifique a ação

    Membros do teatro também foram convocados para a reunião, que busca, segundo o despacho, “resolução pacífica e dialogada”.

    Por nota, a prefeitura informou que ofereceu “três alternativas de terrenos para os representantes do Teatro de Contêiner, sendo que o mais recente deles com 687 m2 na Rua João Passalaqua, altura do número 140, na esquina com o Viaduto Júlio de Mesquita, no Bixiga, uma região repleta de teatros e restaurantes”.

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    A prefeitura informou que tem o registro de dois pedidos formalizados pela companhia teatral que foram negados por pertencerem ao Estado, sendo um deles cedido à CDHU para a construção de moradias populares e o outro área operacional da CPTM. Além disso, o Município já repassou ao equipamento mais de R$ 2,5 milhões em apoio.

    “O canal de diálogo continua aberto para a transferência do teatro a fim de dar início ao processo de revitalização da região. O prazo para desocupação do imóvel se encerra em 21 de agosto de 2025 às 23h59. A Guarda Civil Metropolitana realizou na terça-feira [19] a operação na Rua dos Protestantes para a desocupação de um imóvel localizado ao lado do teatro. O prédio, que está interditado e será demolido pela Prefeitura de São Paulo, foi invadido por um grupo de pessoas que utilizava um acesso clandestino feito a partir do terreno do teatro. Diante da invasão e da negativa para desocupação deste imóvel, foi necessária uma intervenção por parte das forças de segurança. O local está trancado e preservado”. 

    Desocupação no Teatro de Contêiner

    No fim da tarde desta terça-feira (19), a Guarda Civil Municipal (GCM) realizou uma operação de desocupação em um prédio no terreno ocupado pelo Teatro de Contêiner Mugunzá, na região da Luz. O espaço interditado pelos agentes é utilizado pela ONG Tem Sentimento. Em vídeo publicado nas redes sociais do teatro, o ator Lucas Bêda comentou: “Estamos em um momento de urgência, estão querendo despejar a gente de toda forma”.

    Segundo testemunhas locais, artistas e membros da ONG foram retirados às forças do anexo por agentes da GCM, que usou escudos e spray de gás pimenta contra os ocupantes. Não há feridos.

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    Durante uma assembleia ainda nessa terça, os representantes do espaço cultural discutirão saídas para lidar com a desocupação. De acordo com Leo Akio, um dos coordenadores do teatro, à noite  GCM permanecia do lado de fora do teatro, sem entrar no local.

    Por meio de nota, a prefeitura afirmou que a GCM reagiu em resposta a um grupo que acessava o prédio de forma clandestina e se recusou a deixar o local.

    A Guarda Civil Metropolitana realizou nesta terça-feira uma operação na Rua dos Protestantes para a desocupação de um imóvel localizado ao lado do Teatro de Contêiner. O prédio, que está interditado e será demolido pela Prefeitura de São Paulo, foi invadido por um grupo de pessoas que utilizava um acesso clandestino feito a partir do terreno do teatro. Diante da invasão e da negativa para desocupação deste imóvel, foi necessária uma intervenção por parte das forças de segurança. O local está trancado e preservado”, diz o comunicado da administração municipal.

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    Despejo do Teatro Contêiner

    Alvo de uma ordem de despejo pela prefeitura no último dia 6 de agosto, a Companhia Mugunzá de Teatro, mantenedora do espaço cultural e social, tem até a próxima quinta-feira (21) para desocupar o espaço. Em maio deste ano, a companhia já havia recebido outra notificação de desocupação.

    Em nota, a prefeitura o afirma que ofereceu duas alternativas para os representantes do teatro, uma na Rua Conselheiro Furtado, na Liberdade, e a mais recente na Rua Helvétia, com cerca de mil metros quadrados, o triplo da área atual, segundo a prefeitura.

    As lideranças do equipamento e da companhia, ganhadora de prêmios como o Shell e o APCA, no entanto, indicam que as propostas de mudança não contemplam o conceito arquitetônico do equipamento cultural, reconhecido também no International Theatre Engineering & Architecture Conference (ITEAC) em 2023, evento em Londres que destaca projetos em espaços de atuação e produção artística em áreas vulneráveis.

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