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Jogadores de rúgbi ensinam modalidade para crianças de Paraisópolis

Fabrício Kobashi e Maurício Draghi comandam o projeto Rugby para Todos, que hoje beneficia 200 crianças e adolescentes com idade de 7 a 17 anos

Por Lívia Andrade 19 dez 2013, 18h13 | Atualizado em 5 set 2025, 17h25
Jogadores de rúgbi ensinam modalidade para crianças de Paraisópolis Priorizar nos meus resultados Google

Colegas no time de rúgbi do Pasteur Athletique Club desde os anos 90, os amigos Fabrício Kobashi e Maurício Draghi costumavam treinar passes na Praça Vinícius de Moraes, no Morumbi. Nesses encontros, era comum que crianças da vizinha favela de Paraisópolis se aproximassem, atraídas pela atividade inusitada, e eles terminassem ensinando-lhes os lances básicos do esporte. A cena se repetiu tantas vezes que os dois resolveram tornar as aulas mais sistemáticas.

Em 2004, procuraram a diretoria do Palmeirinha, clube de futebol amador da região, e pediram para usar o campo da equipe. Em seguida, visitaram oito escolas da região e lançaram o convite aos alunos para aprender a modalidade. Já no primeiro dia apareceram mais de 100 interessados. Assim nasceu o projeto Rugby para Todos, que hoje beneficia 200 crianças e adolescentes com idade de 7 a 17 anos. São três aulas por semana, sob a orientação de vinte profissionais, entre técnicos, psicólogos e pedagogos.

Os fãs do negócio gostam de citar a seguinte comparação: o futebol é um esporte de cavalheiros jogado por bárbaros, enquanto o rúgbi é um esporte de bárbaros jogado por cavalheiros. “É a mais coletiva das modalidades, pois o objetivo é atravessar o campo, mas o jogador só pode passar a bola para quem está atrás dele”, diz Draghi. “Eles aprendem valores importantes como respeito, união, caráter e disciplina.” Já que não exige um biotipo padrão, torna-se mais fácil angariar adeptos. “Qualquer um pode jogar: menino, menina, alto, magro, rápido, vagaroso, gordinho”, afirma Kobashi. Uma revelação do programa é David Martins Pereira Prates, que começou a treinar no campinho da favela, transformou-se em instrutor do projeto, obteve uma bolsa para cursar educação física na Unip e hoje defende a seleção brasileira da modalidade.

Os problemas sociais da região são um desafio a mais para os instrutores. “No início, alguns alunos chegavam com fome”, conta Kobashi. “Recebíamos o apoio de parentes das crianças, que levavam um bolo para o lanche”, completa Draghi. Hoje, após cada treino, todos ganham um lanche e um suco. Com 95% dos seus recursos bancados pela Lei de Incentivo ao Esporte, o projeto captou 540 000 reais neste ano. A expectativa é dobrar a quantia em 2014.

Nome: Fabrício Kobashi e Maurício Draghi | Profissão: jogadores de rúgbi | Atitude transformadora: criaram um projeto para ensinar a modalidade a crianças de Paraisópolis

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