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Irmã Célia Cadorin: personalidade religiosa

A fazedora de santos brasileiros consagra-se e dá uma importante contribuição à fé no país com a canonização de Frei Galvão

Por Thales Guaracy 18 set 2009, 20h32 • Atualizado em 5 dez 2016, 19h26
  • Na missa em que Frei Galvão foi oficializado o primeiro santo nascido no Brasil, em 11 de maio, havia no altar montado diante de 1 milhão de fiéis no Campo de Marte cerca de 600 homens, entre bispos, cardeais e outras autoridades da Igreja – e uma única mulher. A caminho da celebração, Bento XVI parou para falar justo com aquela senhora de óculos, cabelos brancos curtos, apoiada em um andador metálico. “Tem mais algum santo para mim?”, perguntou-lhe o papa, em italiano, segurando firme as mãos de irmã Célia Cadorin. “Sim, tenho mais 28”, respondeu ela. “Tanto assim?”, surpreendeu-se o pontífice. “O Brasil acordou, santo padre.”

    Como postulante, uma espécie de advogada indicada pela Igreja para defender o candidato a santo no processo de canonização, irmã Célia conquistou em 2007 um feito de grande valor simbólico para a fé no Brasil. Provou que o maior país católico do mundo podia ter um santo 100% seu, afinal. Já havia realizado proeza semelhante em 2002, ao colaborar com o processo de canonização de Madre Paulina, que veio aos 9 anos de idade da Itália para o Brasil, onde fundou a Congregação das Irmãzinhas da Maria Imaculada, à qual irmã Célia pertence. “Nós éramos colônia, sempre recebemos santos importados”, diz ela. “Não sabíamos que poderíamos ter santos nem como fazer o processo, e tínhamos medo de quanto isso podia custar.”

    O postulante angaria dinheiro para o processo, gerencia esses recursos e coleta as informações necessárias para sucessivos julgamentos no Vaticano, trabalho longo e complicado. No caso de Frei Galvão, o andamento estava interrompido desde 1938. Retomado por irmã Célia em 1986, quando ela trabalhava no de Madre Paulina, o caso graças a ela teve um desfecho rápido. Filha de um empreiteiro e político de origem humilde em Nova Trento, Santa Catarina, irmã Célia há muito se dedica a boas causas. Entrou para o convento aos 13 anos. “Sempre quis isso”, explica ela, que está “na casa dos setentão”. Cuidou do orfanato da congregação em tempos nos quais ela e as crianças tinham “só um pouco de sal e fubá para comer”. Morou vinte anos em Roma e atuou como secretária do primeiro postulante da canonização de Madre Paulina, um padre italiano com quem aprendeu o ofício. Nem a dificuldade de locomoção, resultado de uma queda em 2001, a impede de trabalhar pelos novos santos brasileiros. Deposita esperanças mais imediatas em dois: irmã Dulce e padre Donizete. Capaz de desfiar a história de seus “clientes” com riqueza de detalhes, ela vive num mundo de seres de vida sofrida e feitos extraordinários. “Os santos têm histórias lindas, que servem como exemplos de fé”, afirma ela. “Precisamos muito disso.”

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