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Golpes no Instagram causam prejuízo a usuários

Os relatos de quem teve as contas hackeadas no Instagram e só conseguiu reativá-las ao recorrer à Justiça ou a empresas que resgatam acessos

Por Sérgio Quintella Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 jul 2024, 08h30 • Atualizado em 19 jul 2024, 12h20
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O redator Davi Alves que teve Instagram hackeado: sem solução (Alexandre Battibugli/Veja SP)
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  • Seria mais um dia como qualquer outro não fosse uma pequena fila formada em frente à casa da advogada Luciane Médice, em Vargem Grande do Sul, no interior, sua cidade natal. Era fim do ano passado e ela se preparava para curtir o período de festas com a família. O sossego dos ares interioranos foi interrompido pela multidão na porta. Nela, pessoas da pequena localidade, quase todas conhecidas, estavam à espera dos produtos que acabaram de “comprar”, como ar-condicionado, cama e fogão, todos anunciados em sua página no Instagram. O detalhe é que Luciane não vendera nada. Sua conta havia sido invadida por terceiros, que promoveram os anúncios fraudulentos. “Começaram a tocar a campainha para buscar os produtos. Foi uma loucura. Uma amiga da minha mãe pagou 600 reais pelo ar-condicionado”, afirma a advogada, que explicou às pessoas que também havia sido vítima do mesmo golpe. “Os criminosos aproveitaram o período de Natal, em que as pessoas costumam consumir mais.”

    O relato de Luciane está longe de ser único. A cada dia, o Tribunal de Justiça de São Paulo recebe dezenas de demandas de usuários do Instagram (e do Facebook) na mesma situação. Em todas, são relatadas as dificuldades que a rede social impõe para que o cliente possa reaver o acesso após a invasão. Em um processo movido em meados do ano passado, um influenciador com 100 000 seguidores conseguiu não apenas ter acesso à conta perdida, como ganhou uma indenização de 5 000 reais. Na sentença, a juíza responsável pelo caso não acatou a alegação da defesa da Meta (dona do Facebook e do Instagram), segundo a qual possui sistema confiável e seguro, como autenticação em dois fatores, entre outros. “A contestação foi absolutamente genérica, que invoca elementos estranhos à lide”, escreveu a magistrada. Procurado, o escritório TozziniFreire Advogados, defensor da Meta no Tribunal de Justiça paulista, disse que não comenta suas ações judiciais.

    O drama do redator paulistano Davi Alves é mais recente. Na última semana, ao entrar em sua conta no Instagram ao acordar, viu que estava sem acesso à rede. Nos Stories, havia chamadas para que seus seguidores fizessem investimentos financeiros e comprassem produtos. “Não consegui nenhum suporte, mesmo mandando e-mail e fazendo os trâmites de forma correta, como gravar um vídeo com o meu rosto. Quando eu enviava, diziam que não era o meu rosto.” Sem obter ajuda e sem recursos para entrar com uma ação na Justiça, Davi disse que desistiu da página, pelo menos por ora. “Abri uma outra e estou esperando para ver se consigo a antiga de volta.” Enquanto isso, continua vendo a prática de crimes impunes. “Um seguidor pagou 600 reais e depois veio me cobrar, mas eu disse que ambos fomos vítimas”, conta.

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    Exemplos de golpes aplicados em contas verdadeiras: prejuízos e briga entre amigos (Veja SP/Veja SP)

    Após o aumento de casos de hackeamento de contas, começaram a aparecer no mercado pessoas e empresas especialistas em recuperar os acessos. “Já atendi a todos os estados do Brasil e mais 26 países”, afirma Wanderlei Silva, que mora no Espírito Santo. Por valores que par tem de 250 reais, ele promete o acesso novamente. “Sabemos todas as variações do sistema e conseguimos usar as próprias ferramentas disponibilizadas pelo Instagram, o que nem sempre as pessoas leigas sabem”, afirma. Para Silva, uma verificação em duas etapas não é o bastante para garantir a segurança da conta. “É preciso haver um e-mail seguro.” Ele se refere ao fato de muitos usuários cadastrarem e-mails antigos, com senhas fáceis ou que não são mais lembradas. Além do trabalho de recuperação de contas, Wanderlei Silva também faz o serviço prévio, de verificação da segurança. Nesse caso, não há envio de senhas e o atendimento é realizado por vídeo, com ele indicando os caminhos para os usuários (veja no quadro ao lado mais dicas de como se precaver de ataques e o que fazer em caso de invasão).

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    Procurada para falar dos casos citados na matéria e dos milhares de ações judiciais em curso na Justiça, a Meta enviou uma nota em que afirma “trabalhar na implementação de recursos capazes de barrar o acesso de hackers a contas de terceiros, em campanhas educativas de identificação e prevenção a esse tipo de ataque, bem como em ferramentas e processos para a recuperação de contas”. São medidas urgentes.

    Publicado em VEJA São Paulo de 19 de julho de 2024, edição nº2902

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