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Galeria dos Pães: receita lucrativa

Padaria atrai de baladeiros a executivos e fatura aproximadamente 1,5 milhão de reais por mês

Por Tomás Chiaverini 25 jun 2011, 00h50 • Atualizado em 1 jun 2017, 18h31
Galeria dos Pães clientes - 2223a
Galeria dos Pães clientes - 2223a (Lucas Lima/)
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  • Seja em dia santo, Carnaval ou final de Copa do Mundo, a Galeria dos Pães não fechou as portas uma vez sequer desde sua inauguração, em julho de 1999. Aberto 24 horas, sete dias por semana, o estabelecimento na Rua Estados Unidos já vendeu cerca de 78 milhões de pãezinhos e serviu por volta de 3,5 milhões de cafezinhos e 2,6 milhões de sucos de laranja. Em média, passam pela casa diariamente 5.000 clientes, que no vai e vem da cidade às vezes se encontram em situações opostas.

    Pouco depois das 6 horas da manhã do último dia 10, uma quinta-feira, a estudante de moda Gabriela Zequini chegava direto de uma noite de ferveção na boate Hot Hot, na Bela Vista. Com vestido curto e acompanhada do também estudante Lucas Werneck, resolveu fazer uma escala técnica para repor as energias com um lanche antes de ir para a cama. Na mesa ao lado, em clima totalmente inverso, a produtora Luisa Oliveira alimentava-se com um pão na chapa e um chocolate quente para tomar o caminho do escritório. E sentia uma pontinha de inveja do casal: “Bem que eu preferia fazer parte do pessoal que volta da balada a essa hora”.

    Já se tornou uma cena corriqueira nesse horário: os primeiros a pegar o rumo do trabalho encontram os retardatários da noitada, que muitas vezes continua pela manhã adentro. “Já aconteceu de não arrumar nenhuma paquera na balada e acabar arranjando algo por aqui”, conta o empresário Felipe Oliveira, há dez anos frequentador da Galeria após os programas noturnos. No balcão, o engenheiro Rodrigo Dantas, que três vezes por semana toma ali seu café da manhã, diverte-se ao observar os boêmios que o cercam. “É um encontro tranquilo, mas às vezes alguém meio bêbado vem fazer gozação com quem está de terno indo para o batente”, diz. 

    Situado próximo à esquina com a Rua Haddock Lobo, o endereço é, disparado, o maior do gênero nos Jardins. Segundo o Sindicato dos Industriais de Panificação e Confeitaria de São Paulo (Sindipan), a Galeria é também a segunda maior do estado em faturamento, atrás apenas da Cepam, na Vila Prudente. Estima-se que o valor por mês gire em torno de 1,5 milhão de reais. “Ela é referência para o setor, e vários copiaram o modelo, oferecendo produtos e serviços cada vez mais diversificados”, afirma o presidente do Sindipan, Antero José Pereira. Para manter o negócio em atividade ininterrupta, revezam-se cerca de 400 funcionários. Somente a brigada de padeiros conta com 28 homens, grupo que recebe o auxílio de outras catorze pessoas, seis delas no comando dos 24 fornos da cozinha. 

    Galeria dos Pães - 2223a
    Galeria dos Pães – 2223a ()
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    Há cerca de 18.000 itens nas prateleiras, desde álcool em gel para réchaud até bombons trufados suíços. Essa vocação para o comércio de artigos variados está, de certa forma, arraigada no imóvel. Ali, entre 1936 e 1994, funcionou a Mercearia Estados Unidos. Carinhosamente apelidado de supermercado MEU, foi um dos maiores da capital antes da chegada das grandes lojas de varejo. O engenheiro civil Milton Guedes de Oliveira arrematou o ponto em 1994, realizou uma ampla reforma e, no fim da década de 90, reabriu com o nome atual. Acertou em cheio na aposta. “Cliente de padaria é o melhor que existe”, afirma. “Em qualquer casa, todo dia falta alguma coisa que vendemos aqui”, completa ele.

    UM DIA NA PADARIA

    1.000

    quilos de farinha, 30 quilos de sal e 30 quilos de fermento são usados na produção

    24

    fornos assam a massa a 200 graus

    28

    padeiros, oito ajudantes e seis forneiros trabalham no processo

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    18.000

    pães saem da cozinha e são vendidos a 8,90 reais o quilo

     

    O CONSUMO DENTRO DA CASA

    2.000

    pães

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    1.000

    cafezinhos

    800

    copos de suco

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