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Furto de cabos de cobre da iluminação pública bate recorde

Em 2005, ano em que a cotação do metal teve a maior alta dos últimos dezesseis anos, os furtos cresceram 71%

Por Maria Paola de Salvo
18 set 2009, 20h32 • Atualizado em 5 dez 2016, 19h25
  • No último dia 17, a passagem subterrânea sob a Praça Roosevelt, que liga a Zona Leste à Rua da Consolação, ficou sem luz pela quinta vez neste ano. O blecaute, que durou dez dias, não foi causado por falha elétrica, falta de manutenção nem queda de energia. O apagão é resultado de um crime que tem crescido na cidade: o furto de fios de cobre da iluminação pública. De janeiro a setembro, 1 358 quilômetros de cabos – três vezes a distância entre São Paulo e Rio de Janeiro – desapareceram das ruas. Em agosto, a roubalheira bateu recorde histórico: 215 quilômetros, contra 142 em julho e 128 no início de 2007. “Os números são alarmantes e a situação já preocupa”, afirma Walter Bellato, diretor do Ilume, departamento responsável por administrar os 17 000 quilômetros de cabeamentos de São Paulo. O crime se intensificou nos últimos quatro anos, período em que a média mensal de fios furtados mais que triplicou (veja o gráfico). Um dos principais motivos para esse aumento é a valorização do cobre. Em 2005, ano em que a cotação do metal teve a maior alta dos últimos dezesseis anos no mercado internacional, os furtos cresceram 71%. Naquela época, os ferros-velhos da capital pagavam 6 reais pelo quilo do metal. Hoje, segundo a polícia, esse valor pode atingir 14 reais. O negócio dos sucateiros é revender o cobre a indústrias de médio porte. Essas, por sua vez, derretem o material e fabricam fios que voltarão às ruas. “É um grande círculo vicioso”, diz o delegado assistente Adilson Marcondes, da Delegacia Especializada em Furtos de Fios Elétricos, Telefônicos, Telegráficos e Assemelhados – sim, existe uma delegacia especializada nesse tipo de crime.

    A população é a principal prejudicada. Afinal, os 150 quilômetros de fios furtados mensalmente causam um apagão de até 2.000 lâmpadas e deixam cerca de 50.000 pessoas sem luz. A reposição dos fios, que pode demorar de três a cinco dias, provoca um rombo de 300 000 reais mensais na prefeitura. Ou seja, 3,6 milhões de reais por ano são perdidos para os vândalos. O perfil dos gatunos varia bastante. Há moradores de rua e até funcionários de concessionárias de energia e de telefone. Todos costumam agir de madrugada. Só neste ano, a polícia recuperou 16 toneladas de fios e prendeu quarenta pessoas. Pegos, os ladrões podem amargar de um a quatro anos de prisão. A pena vai de três a oito anos no caso de receptação. Em setembro, quando viaturas da Guarda Civil Metropolitana passaram a fazer ronda nos principais túneis da cidade, o furto de cabos caiu 80%. Uma solução, de acordo com especialistas, é recorrer aos fios de alumínio, que custam hoje um terço do preço dos de cobre, cotação bem menos atraente para os bandidos. Por enquanto, só 20% da rede leva esse material. O Ilume estima que seriam necessários 110 milhões de reais para substituir todos os cabos de cobre por cabos de alumínio.

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