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Fotógrafo Vik Muniz é tema de um catálogo com sua obra completa

No auge da popularidade, Vik Muniz recebe honraria comum a mestres já falecidos

Por Jonas Lopes
30 nov 2009, 14h03 • Atualizado em 5 dez 2016, 19h04
  • Paulistano radicado nos Estados Unidos desde 1983, Vik Muniz sempre se recusou a ser chamado de artista brasileiro, sobretudo pelo longo tempo vivido no exterior. Deixou o país após levar um tiro na perna ao tentar apartar uma briga em um bar de São Paulo (um dos brigões bancou a viagem como uma espécie de indenização). Hoje dividido entre Nova York e Rio, no entanto, nunca teve uma temporada de tanta atividade por aqui. A retrospectiva

    Vik, por exemplo, atraiu 200 000 pessoas ao Masp. Agora, ele encerra o ano com um projeto ambicioso: um catálogo raisonné que abrange toda a sua produção ao longo de 22 anos. ‘Minha obra é mais evolucionária do que revolucionária. Costumo trabalhar em séries, então esse livro mapeia uma produção enorme’, afirma Muniz, sobre a decisão de lançar um inventário de suas criações aos 47 anos.’Pretendo, claro, fazer os volumes 2, 3, 4…’

    Em edição luxuosa, Vik Muniz: Obra Completa 1987-2009 (Editora Capivara, 710 páginas, 198 reais), nas livrarias a

    partir de terça (1º), apresenta 1 200 trabalhos, em tratamento costumeiramente reservado a homenagens póstumas de mestres como Portinari e Tarsila do Amaral. O editor Pedro Corrêa do Lago, organizador do volume, conta que o processo de reunião das obras levou mais de um ano.’Pesquisamos no estúdio dele em Nova York, em galerias e coleções particulares’, explica. ‘O livro funciona tanto como síntese de uma trajetória quanto como uma introdução para leigos.’ A principal qualidade de Vik Muniz: Obra Completa 1987-2009 consiste em resgatar trabalhos dos primeiros anos de carreira, quando o artista ainda se dedicava a esculturas, objetos e instalações experimentais, substituídos posteriormente pela fotografia. ‘O bacana de olhar para trás é descobrir como aquelas primeiras coisas se refletem na produção posterior’, afirma Muniz. Foi com a série Crianças de Açúcar, da metade da década de 90, que encontrou seu estilo consagrado: compõe imagens com matérias-primas inusitadas (chocolate, diamantes,

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    papel picado, sucata), algumas delas com referências a pinturas célebres da história da arte, e só então as fotografa. ‘Cada material me intriga de uma maneira.Tem coisas que fiz em quinze minutos, outras tomaram seis meses. A do chocolate era desafiadora: eu tinha de fazer em uma hora, senão secava.’ Pelo impacto imediato, esses trabalhos foram considerados fáceis demais por alguns críticos. Muniz reclama do elitismo do circuito artístico e

    diz que, além do espectador sofisticado, tenta alcançar não iniciados. ‘Quero conversar com todos de forma inteligente, não apenas falar bonito para poucos.’

    Vik segue ativo. Acaba de fotografar 1 200 pessoas em um ginásio para uma campanha do Ministério da Saúde sobre o Dia Mundial da Luta contra a Aids, que deve entrar em circulação a partir de terça (1º). Em 2010, lançará um documentário sobre o Jardim Gramacho, o maior aterro sanitário da América Latina, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, e publicará um livro infantil. Exibe ainda na Galeria Fortes Vilaça a mostra Versos, já apresentada em Nova York, na qual registra o fundo de telas emblemáticas como As Senhoritas de Avignon, de Picasso, e Noite Estrelada, de Van Gogh. Para completar o bom momento, no último dia 12 a casa de leilões Sotheby’s levou a martelo uma foto de Marilyn Monroe, arrematada por 200 000 dólares, um recorde em sua carreira. ‘Foi um ano formidável’, resume.

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