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Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP em reforma

Obras em prédio provocam polêmica entre diretor, professores e alunos

Por Fábio Soares 18 set 2009, 20h27 • Atualizado em 5 dez 2016, 19h32
  • Inaugurado em 1969, o prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, na Cidade Universitária, é conhecido internacionalmente pelas linhas inovadoras do projeto de João Batista Vilanova Artigas (1915-1985). Por fora, um bloco retangular de concreto aparente é sustentado por pilares de desenho arrojado, estrutura tombada como patrimônio histórico desde 1981. Dentro, um enorme vão central integra os 18?600 metros quadrados distribuídos por oito pavimentos. Apesar do glamour, o edifício chega aos quarenta anos sem clima para festa, enquanto passa por reformas urgentes. As obras iniciadas no ano passado, no entanto, criaram polêmica. Professores e diretores do grêmio estudantil se queixaram da falta de discussão em torno do projeto e do fato de que o atual diretor teria ignorado os órgãos de defesa do patrimônio. Segundo eles, o principal temor é que a restauração descaracterize o desenho original de Artigas.

    De fato, tanto o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico (Conpresp) quanto o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) não haviam sido consultados. Nem os conselhos internos da FAU. No início deste ano, durante obras de manutenção da tubulação de águas pluviais e nos departamentos dos professores, os ânimos se acirraram. Com a pressão, o di–retor da faculdade, Sylvio Barros Sawaya, decidiu submeter sete planos de restauro e recuperação aos órgãos públicos e à própria faculdade. “Tombar um edifício por seu valor histórico e conviver com sua deterioração não faz sentido”, diz Sawaya. “Tenho de aplicar os 5,6 milhões de reais liberados pela reitoria da USP até o dia 15 de julho e não posso ficar esperando indefinidamente.” A documentação chegou ao Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) em 16 de fevereiro. Arquitetos do órgão afirmam que o tempo é exíguo para uma análise de tamanha complexidade. Só depois de passar pelo DPH, a documentação pode ser encaminhada ao Conpresp. No Condephaat, parte das reformas já foi liberada. Em reunião no início de maio, a diretoria obteve o aval do principal conselho da FAU. Em protesto, cerca de vinte estudantes derrubaram tapumes.

    Orçada em 3,5 milhões de reais, a reforma no teto é a mais controversa. A direção da faculdade quer instalar uma cobertura sobre os domos de fibra de vidro por onde penetra luz natural. “Além de ser uma grave interferência no projeto original, é muito feia”, afirma Carlos Faggin, membro do Condephaat e professor de história da arquitetura na FAU. Para Sawaya, a situação precária da cobertura requer decisões rápidas. “As estruturas estão seriamente afetadas; isso sim ameaça o prédio e, sobretudo, a segurança dos alunos.” Há dois anos, um bloco de pedra se desprendeu do teto e quase atingiu uma estudante. Desde então, telas de proteção foram colocadas sob a cobertura para reter possíveis fragmentos. Atualmente, o teto lembra o de uma caverna. Pontos de infiltração no telhado diluem o concreto e criam estalactites de calcário, que gotejam sem parar. Caixas-d’água colocadas sob goteiras evitam danos mais sérios aos pisos. Há ainda diversas fissuras nas paredes, banheiros interditados e um elevador que não funciona, além de colunas de sustentação destruídas e instalações elétricas em estado precário. “O prédio vem se deteriorando, e não é de hoje”, diz Antonio Carlos Barossi, professor da FAU. “A diretoria tem razão a respeito da urgência, mas se a reforma for feita sem o devido controle porá em risco um patrimônio da arquitetura.”

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