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Desenhar modelos de jóias é a nova onda entre socialites

Jovens designers apostam no mercado de acessórios de luxo

Por Sandra Soares
18 set 2009, 20h36 • Atualizado em 5 dez 2016, 19h21
  • Quando sua filha Natasha anunciou que queria trocar a faculdade de publicidade pelo curso de design de jóias do Istituto Europeo di Design (IED), há dois anos, a arquiteta Magda Kayat ficou receosa. Diante da decisão difícil – aprovaria ou não tal mudança? –, ela foi visitar a recém-aberta escola de Higienópolis munida de um pêndulo de cristal que costuma carregar para cima e para baixo. No setor de matrículas, em frente a uma incrédula atendente, começou a girar o tal pêndulo e perguntar: “Minha filha deve estudar aqui?”. De acordo com o movimento descrito pelo objeto, a resposta foi “sim”. E Magda matriculou Natasha na escola, que cobra 1 500 reais por mês pelo curso de três anos. Hoje, a jovem produz peças de prata e tem como clientela justamente as amigas da mãe. O curso do IED não assusta mais e recebe um número cada vez maior de alunos. “Em 2007 devemos ter duas classes em vez de uma na graduação”, afirma a coordenadora, Janiene Santos. No mês que vem, começarão as aulas da primeira turma de MBA em gestão de design de jóias.

    Assim como a profissão de decorador ou estilista virou moda no passado, a nova onda entre jovens socialites é trabalhar como desenhista de colares, brincos, pulseiras… Desde 2000, o número de designers triplicou no Brasil, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM). Considerando-se apenas os profissionais cadastrados, são 1 850. Pouco mais de um quarto deles (496) vive na capital paulista. “Produzir jóias sempre foi para poucos, pois as matérias-primas custavam muito caro”, diz Laura Pedroso, ex-gerente-geral da joalheria Tiffany no Brasil e hoje dona de um escritório de representação de designers. “A situação começou a mudar quando pedras brasileiras passaram a figurar em acessórios, aqui e no mercado internacional.” Materiais como o quartzo e o citrino, abundantes por aqui, são até 70% mais baratos que as chamadas gemas nobres – diamante, rubi, safira e esmeralda. Estima-se que em 2006 as exportações do setor de joalheria e bijuteria somem 1 bilhão de dólares, um aumento de 18% em relação ao ano passado. “Cerca de 60% de minhas criações são vendidas em dezessete países”, conta a designer Adriana Bittencourt, cuja produção mensal é de 4 500 peças.

    Diferenciar jóias e bijuterias está cada vez mais difícil. “Não economizo no ouro”, afirma Fabiana Mortari, que começou na carreira fazendo acessórios para a grife da família, Lita Mortari. “Estou acostumada com coisas boas”, justifica. A prata, metal até pouco tempo atrás indigno de figurar na prateleira da joalheira, é a matéria-prima de vários designers. “Considero jóias minhas criações porque elas são exclusivas e feitas a mão”, diz Joana Crespi, filha da joalheira Syomara Crespi. “Mas há, sim, quem se refira a elas como bijuterias.” As peças de prata de Joana custam entre 50 reais (brinco único e pequeno) e 1 900 reais (brinco de safira).

    Há cinco anos, depois de produzir jóias durante uma década, a designer Cecília Neves, filha do arquiteto Julio Neves, presidente do Museu de Arte de São Paulo (Masp), passou a fazer bijuterias. “Com materiais sintéticos, posso ousar mais e tenho mais público”, explica ela, que mantém uma loja no Shopping Pátio Higienópolis há um ano e pretende inaugurar outro ponto-de-venda no futuro Shopping Cidade Jardim, com abertura prevista para o segundo semestre de 2007. O endereço, aliás, está na mira de criadoras como Juliana Scarpa, prestes a ocupar também, em novembro, uma loja no Itaim. “Comecei fazendo peças para mim”, lembra Juliana. “Minhas amigas gostaram tanto que acabou virando um negócio.”

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