Avatar do usuário logado
Usuário

Cresceu para cima: número de apartamentos ultrapassa o de casas na capital

Esse fato era previsto por especialistas, dada a verticalização cada vez maior, mas a cidade ainda é menos compacta que as metrópoles globais

Por Fernanda Bassette
16 jul 2021, 06h00 • Atualizado em 27 Maio 2024, 19h55
imagem aérea de prédios e casas na avenida rebouças, em São Paulo
Região da Avenida Rebouças, em Pinheiros (Marcelo Sonohara/Divulgação)
Continua após publicidade
  • Pela primeira vez, São Paulo tem mais imóveis residenciais em prédios do que casas. A conclusão é de um levantamento feito pelo Centro de Estudos da Metrópole (CEM-Cepid), financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que teve como base informações da Secretaria Municipal da Fazenda usadas para cálculo de IPTU entre os anos 2000 e 2020. Foram considerados cerca de 63 milhões de imóveis formais, ficando de fora, portanto, residências informais ou favelas.

    A chamada “verticalização” permite que mais pessoas morem nas áreas centrais, onde estão as vagas de trabalho e os melhores serviços, o que ajuda — e muito — a reduzir o pavoroso trânsito da cidade. Mas, apesar de ser essa a tendência vista na pesquisa, a capital está longe de ser adensada como outras metrópoles globais. “São Paulo tem cerca de 110 habitantes por hectare. Paris e Barcelona, por exemplo, possuem mais que o dobro disso”, diz Nabil Bonduki, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e relator do Plano Diretor. “O senso comum é de que São Paulo é uma cidade verticalizada.

    Mas, fora do centro expandido, a capital foi formada predominantemente por residências horizontais e de baixo padrão. Agora, a tendência está se invertendo”, explica Eduardo Marques, diretor do CEM e um dos responsáveis pelo levantamento.

    +Assine a Vejinha a partir de 8,90.

    No confinamento da pandemia, porém, a procura por casas (naturalmente mais arejadas) voltou a crescer, indicam dois dos principais sites de imóveis do país. Um levantamento do QuintoAndar, feito a pedido da Vejinha, mostra que entre abril de 2020 e junho de 2021 as buscas por imóveis residenciais (para comprar) aumentaram 35% na capital, sendo os bairros mais procurados Vila Mariana, Tatuapé e Mooca. No mesmo período, o interesse por apartamentos ficou estável e houve queda de 48% para estúdios e quitinetes. Dados do DataZAP+ mostram que as buscas por casas no interior também dispararam. “As pessoas ficaram mais tempo no lar. Isso influenciou o comportamento do consumidor, mas é cedo para afirmar se essa mudança vai persistir no longo prazo”, diz Edivaldo Constantino, economista do DataZAP+.

    A pesquisa do CEM ainda vai publicar catorze notas técnicas com análises sobre edificações, mobilidade urbana e orçamento público. No ano 2000, São Paulo tinha 1,23 milhão de residências horizontais e 767 000 verticais. Vinte anos depois, as casas representam 1,37 milhão de unidades (11,4% de aumento) e os apartamentos somam 1,38 milhão (alta de 80%). O estudo revela que a expansão paulistana foi puxada por um crescimento contínuo no número de apartamentos de médio e alto padrão. Segundo o Secovi, maior sindicato do mercado imobiliário da América Latina, o total de lançamentos de apartamentos residenciais em São Paulo cresceu 170% entre 2004 e 2020, saltando de 22 550 para 59 978 unidades. Apenas nos primeiros cinco meses deste ano, o setor já lançou outras 20 174.

    Continua após a publicidade

    +Assine a Vejinha a partir de 8,90.

    Para os especialistas, a verticalização ocorreu principalmente por razões econômicas e por incentivos do Plano Diretor, cuja a ideia era justamente adensar a população nas regiões com melhor infraestrutura. “A cidade não tem mais como crescer horizontalmente. Não se trata apenas da questão do preço da terra, mas de espaço, mesmo. A verticalização é inevitável. Se ela é boa ou ruim, é uma discussão complexa. Mas temos de buscar um equilíbrio e isso só será possível por meio de um zoneamento mais bem-feito do que o que existe hoje”, justifica Bonduki.

    Na avaliação do administrador de empresas Marcello Romero, CEO da Bossa Nova Sotheby’s, uma imobiliária voltada para o mercado de alto padrão, o custo dos empreendimentos também foi decisivo para a mudança. “Os terrenos se tornaram cada vez mais caros e o Plano Diretor incentiva a ocupação mais densa. A verticalização é muito mais eficiente. À medida que a cidade se desenvolve, não tem outro jeito a não ser verticalizar. Onde o zoneamento permitir a construção de prédios, áreas que tinham predominância de imóveis horizontais vão ter muito mais edifícios”, diz.

    Outros fatores mais pessoais, como a sensação de segurança trazida pelos condomínios em uma cidade com tantos problemas nessa área, também passaram a contar. O administrador de empresas José Lourenço Nascimento Hirschmann, de 29 anos, e a engenheira Kelly Samantha Vianna Hirschmann, 35, moravam em casas antes do casamento. Chegaram a procurar uma nova residência similar para comprar, mas optaram por um apartamento na Vila Medeiros, Zona Norte. “Nos bairros mais seguros, o preço das casas é alto demais. Como viajo muito a trabalho, preferi comprar um apartamento para a segurança da minha família”, conclui José Lourenço.

    Continua após a publicidade

    +Assine a Vejinha a partir de 8,90.

     

    Publicado em VEJA São Paulo de 21 de julho de 2021, edição nº 2747

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Impressa + Digital no App
    Impressa + Digital
    Impressa + Digital no App

    Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.

    Assinando Veja você recebe semanalmente Veja SP* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
    *Assinantes da cidade do SP

    A partir de 29,90/mês