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Coleção de obras de arte mostram nova faceta de Jânio Quadros

Os lances mínimos das trinta peças que pertenceram a ele variam de 400 a 5?000 reais; leilão acontece em Campinas

Por Gisele Kato 18 set 2009, 20h32 | Atualizado em 5 dez 2016, 19h25

Quem diria que o candidato de roupas amarrotadas, muitas vezes com sanduíches de mortadela nos bolsos, juntaria ao longo da vida um extenso acervo de arte? Ainda mais com pinturas de flores e cenas bucólicas? Um leilão no sábado (8), em Campinas, aposta no entusiasmo dos antigos admiradores do presidente Jânio Quadros (1917-1992) para alcançar cifras gordas a cada batida do martelo na mesa. Os lances mínimos das trinta peças que pertenceram a ele variam de 400 a 5?000 reais. São valores baixos, que se justificam pela ausência de grandes estrelas no conjunto variado de obras. Há telas, móveis e objetos de decoração de procedência e períodos diversos. Para quem pouco se emociona com o passado, digamos, presidencial dos itens, as opções restringem-se a quadros figurativos de nomes como o do pintor florentino Dario Mecatti (1909-1976), que se radicou no Brasil a partir dos anos 40, e do veneziano Giuseppe Perissinoto (1881-1965). Nenhum deles exatamente consagrado entre os especialistas. Mas não é nisso que o antiquário William Fakiani se escora. Representante de um colecionador particular, ele conta com o valor histórico do conjunto para elevar seus preços: “Tudo foi adquirido diretamente da família Quadros, em um leilão em dezembro de 1993, e traz isso na documentação”, diz Fakiani.

Se na platéia estiverem velhos seguidores, o antiquário acredita que algumas obras possam chegar a 10.000 reais. Uma poltrona brasileira de jacarandá do século XIX e um aparelho de jantar completo de porcelana checa são alguns dos objetos que prometem seduzir janistas de plantão. “Dona Eloá (mulher de Jânio) ganhou o porta-jóias entalhado a mão em uma visita ao Japão”, afirma Fakiani. Jânio Quadros Neto, que chegou a morar na casa do avô, no Morumbi, lembra que o político era presenteado com muitas telas, além de elaborar suas próprias pinturas. “Tenho um quadro que ele fez entre 1976 e 1977. É uma boneca, sentada em uma cadeira, com um vestido vermelho”, descreve Neto. Ainda que criações do presidente não integrem o lote, o leilão, com obras igualmente líricas, desvenda uma faceta pouco conhecida do homem que fingia desmaios no palanque e que fez muita gente cantar “Varre, varre, vassourinha”.

• Museu do Diálogo. Galleria Shopping, Cam-pinas. Informações,

tel: (19) 3207-4649. Exposição das peças: de sábado (1º) a sexta (7). Segunda a sábado, 10h às 22h; domingo, 14h às 20h. Leilão: sábado (8), 20h30. Grátis.

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