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Casal vive isolado com quatro perus e outros animais no litoral sul

Junto com os demais bichos, Barack, Michelle, Lula e Marisa fazem companhia para Jessé e a esposa

Por Sérgio Quintella Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 21 ago 2020, 10h51 | Atualizado em 21 ago 2020, 14h23
perus
Jessé e Adélia em Itanhaém  (Alexandre Battibugli/ Sérgio Quintella/Veja SP)
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A uma hora de barco do centro de Itanhaém, no litoral sul, o ex-motorista de caminhão Jessé Thomaz de Barros, 56, vive em uma região isolada, de 72 000 metros quadrados (área maior que o Parque Trianon), que só tem acesso pelo Rio Preto, um dos principais da região.

A história dele faz parte da reportagem de capa da Vejinha desta semana.

Ao lado da esposa, Adélia de Oliveira, 51, com quem tem dois filhos (ambos não moram mais com os pais), ele vai para a cidade somente uma vez por mês. E olhe lá. “Aqui plantamos mandioca, milho, feijão de corda, pepino, melancia, e o que mais quisermos. Vivemos do que plantamos e vivemos felizes. Temos tudo o que precisamos”, afirma Barros, que tem a companhia de diversos animais, como cabras, cachorros, galinhas. Mas os mais queridos são dois casais de perus.

“Barack, Michelle, Marisa e Lula vivem soltos, como os outros, e estão com a gente desde antes de mudarmos para cá, há três anos.”

Na propriedade de Barros, ao ar livre, há uma “gambiarra” feita de bambu e uma antena improvisada que ganhou o apelido de “escritório”. “É o único lugar em que o sinal do celular é bom. Aqui, no meio do mato, não precisamos muito de telefone, mas é bom ter um local com sinal”, diz o homem, que vive de calças e mangas compridas devido à grande quantidade de mosquitos no pedaço.

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A escolha por morar em um local tão remoto ocorreu devido a dois fatores: a vontade por mais tranquilidade e dores nas costas que impediram Jessé de continuar trabalhando como motorista de caminhão que faz coleta de lixo, em Itanhaém. “Em vez de ficar preso na cidade, vivemos livre aqui. Mas nem tudo é alegria. A vida no mato exige sacrifício”, afirma. Outro desafio é financeiro. “Aqui não temos renda nenhuma. Não consegui aposentadoria pelo INSS e faz três anos que não recebo nenhum centavo de salário. Quem nos sustenta é Deus.”

Apesar da limitação física por causa das dores, Jessé e a esposa construíram uma casa de bambus. São dois quartos, ampla sala, cozinha e um banheiro. A varanda, cercada, possui uma rede. Do fogão a lenha sai a comida do casal, composta pelo que ambos plantam e pescam na beira do rio.

O pequeno barco de alumínio com moto de popa, movido a gasolina, permanece a maior parte do tempo estacionado, sem uso, na entrada da casa.

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