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Audiência entre direção e estudantes da USP termina sem acordo

Justiça tem 48 horas para decidir se ordena reintegração de posse da reitoria, ocupada por alunos há uma semana; estudantes dizem que haverá resistência

Por Nataly Costa
8 out 2013, 18h22 • Atualizado em 5 dez 2016, 15h35
Ocupação USP (2)
Ocupação USP (2) (Nataly Costa/)
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  • Terminou sem acordo a audiência de conciliação entre a direção da USP, o Diretório Central dos Estudantes (DCE), o Sindicato dos Funcionários (Sintusp) e a Associação dos Docentes da USP (Adusp) para tentar acabar com a greve estudantil e a ocupação, há uma semana, da reitoria da universidade. Agora, a justiça tem 48 horas para analisar o pedido de reintegração de posse pedida pela instituição na última quinta-feira (3).

    Com a audiência, objetivo da Justiça era resolver amigavelmente a ocupação da reitoria, sem a necessidade de intervenção policial. Os estudantes, porém, disseram ao juiz que só desocupam o prédio se for formada uma comissão de negociação com a USP, com reuniões periódicas. A universidade, por sua vez, alegou que só negocia com o DCE quando eles saírem da reitoria. 

    De acordo com Magno de Carvalho, diretor do Sintusp, o sindicato dos funcionários vai decidir em assembleia se também vai aderir à ocupação dos estudantes. “Os advogados da USP estavam sempre em contato com o [reitor João Grandino] Rodas por telefone. O juiz chegou a dizer que o reitor estava sendo intransigente”, disse.

    A ocupação acontece porque os estudantes querem eleições diretas para reitor – o mandato de João Grandino Rodas – escolhido pelo então governador José Serra em 2009 – acaba em janeiro e sua substituição deve ser definida nas próximas semanas. O Conselho Universitário chegou a fazer mudanças no processo eleitoral – criou, por exemplo, a exigência de chapas de pré-candidatura para reitor e vice-reitor -, mas manteve o voto indireto. 

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    Os estudantes estão acampados na reitoria desde o dia 1º, quando uma reunião do Coselho Universitário manteve as eleições indiretas para o cargo de reitor e vice-reitor. A principal pauta do DCE é a eleição direta, uma vez que hoje o comando da universidade depende de indicação política. 

    Manifestação

    Representantes do DCE  que participaram da audiência disseram que a ocupação continuará por tempo indeterminado e que haverá resistência se houver reintegração de posse. Os estudantes convocaram para as 16 horas desta quarta (9) uma passeata do Masp até a Assembleia Legislativa. Alunos da Unicamp que também ocupam a reitoria da universidade devem se juntar à manifestação.  

    Sem água e sem luz

    A universidade cortou a água e a luz da reitoria na sexta-feira – os alunos usam os banheiros de outros prédios ou voltam para casa para tomar banho. Alguns tentaram fazer uma ligação clandestina em um poste – que também teve a luz cortada pela USP. 

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    “É uma chantagem ridícula. Gostaria de saber se o senhor reitor teria condições de negociar com a luz e a água da casa dele cortadas”, disse Pedro Serrano, diretor do DCE. 

    Processo

    A USP entrou na quinta (3) com um pedido de reintegração de posse da reitoria. O processo é movido contra o DCE, a Adusp (professores) e o Sintusp (funcionários), que apoiam a ocupação, mas não estão dentro do prédio. 

    Já os alunos querem suspensão total do processo de reintegração e, a partir daí, iniciar uma negociação com a USP. Cerca de 50 estudantes acompanharam a audiência do lado de fora do fórum. Trinta policiais militares estavam na porta do Fórum. 

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