Avatar do usuário logado
Usuário

Adib Jatene: cirurgião, inventor, ministro…

Além de ter mais de 20.000 operações no currículo, cardiologista também já ocupou três cargos públicos

Por Daniel Bergamasco
9 jun 2012, 00h31 • Atualizado em 18 ago 2025, 11h12
  • O jeitão incansável de quem está sempre procurando problemas para resolver já chamava atenção nos tempos de juventude. “Cruzávamos de carro o estado de São Paulo, íamos ao Rio de Janeiro e a Minas para fazer cirurgias em hospitais que muitas vezes não tinham recursos”, recorda o cirurgião cardiovascular Luiz Carlos Bento de Souza, hoje diretor clínico do HCor. Quem conhece Jatene de perto, portanto, sabia que a fase de repouso não duraria muito tempo. “Já estava cansado de descansar”, diz ele, após uma semana internado na Unidade Coronariana do HCor e outra em casa.

    É uma frase coerente com o histórico do médico que, com mais de 20.000 operações no currículo, tem trabalhado há meses na elaboração de um novo tipo de válvula para auxiliar o bombeamento de sangue nos ventrículos. Se funcionar, poderá ser uma das muitas criações de sua carreira.


    + Adib Jatene: “Diagnostiquei meu próprio infarto”

    + A vida depois do diagnóstico de câncer

    Continua após a publicidade

    Entre outros marcos, ele desenvolveu o primeiro coração-pulmão artificial do Hospital das Clínicas, nos anos 50, um modelo de oxigenador do plasma, na década de 60, e inventou uma técnica de correção de artérias transpostas em bebês, que ficou conhecida mundialmente como Cirurgia de Jatene. Nascido em Xapuri, no Acre, filho de um seringueiro e uma dona de armarinho, foi criado em Uberaba, no Triângulo Mineiro. Chegou a São Paulo para estudar na USP, onde conheceu seu grande mentor, Euryclides Zerbini (1912-1993), que realizou em 1968 o primeiro transplante de coração no Brasil.

    Com diversos convites para ocupar cargos políticos, aceitou três: tornou-se secretário estadual de Saúde, quando o governador era Paulo Maluf, e ministro da mesma área duas vezes, nas gestões Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso. Foi nos anos FHC que emplacou a ideia da contribuição provisória sobre movimentação financeira (CPMF), para aumentar a arrecadação na saúde pública e, de quebra, coibir a sonegação. Seus múltiplos interesses não param por aí. Vai mensalmente a sua fazenda nos arredores de Catanduva (a 390 quilômetros da capital) para conferir as plantações e a criação de gado.

    Dono de uma coleção particular de quadros que inclui artistas como Di Cavalcanti, Alfredo Volpi e Tarsila do Amaral, preside o conselho deliberativo do Museu de Arte de São Paulo (Masp). “Estou sempre procurando mais trabalho.”

     

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Impressa + Digital no App
    Impressa + Digital
    Impressa + Digital no App

    Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.

    Assinando Veja você recebe semanalmente Veja SP* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
    *Assinantes da cidade do SP

    A partir de 29,90/mês