Avatar do usuário logado
Usuário

3 perguntas para… Renato Aragão

Comediante recebe homenagem na terceira edição do Risadaria

Por Dirceu Alves Jr.
15 mar 2012, 18h10 • Atualizado em 5 set 2025, 16h36
  • Aos 77 anos, o comediante Renato Aragão se renova a cada geração que conhece seu trabalho. No ar desde a década de 60, o famoso Didi Mocó ganha homenagem na terceira edição do Risadaria, evento que ocupa o Pavilhão da Bienal entre quinta (22) e domingo (25). Além de uma exposição, o público poderá conferir filmes e quadros inéditos no programa “Os Trapalhões”.

    + Confira a programação completa do Risadaria

    + “Se tivesse que virar modelo, viraria”, diz Livian Aragão

    + Comedians é o primeiro teatro paulistano dedicado ao stand-up

    VEJA SÃO PAULO — O senhor acompanha o trabalho dos humoristas que despontaram com o stand-up comedy?

    Renato Aragão — Eu durmo muito cedo, perto das 22 horas já estou na cama, e os programas começam cada vez mais tarde. Então, tenho pouca oportunidade de ver a rapaziada. Ao teatro eu também quase não vou. O que conheço é pela internet. Lá eu vejo os vídeos e gosto. Esses meninos, Danilo Gentili, Marco Luque, Rafinha Bastos, Fábio Porchat, fazem o humor do tempo deles. Ocuparam um espaço que se impôs, embora não seja nenhuma inovação. Em 1900 e bolinha já se fazia stand-up. O humor é flutuante, vai e volta. A embalagem muda, mas a fórmula continua a mesma.

    Continua após a publicidade

    VEJA SÃO PAULO — Como o senhor explica o fato de estar há mais de quatro décadas no ar?

    Renato Aragão — Até eu tento entender isso. Meu público é infantil, faço um humor voltado para as crianças. A maioria dos meus fãs tem hoje entre 30 e 50 anos, e eles eram pequenos no auge do programa e dos nossos filmes. Essa meninada virou pai e apresentou “Os Trapalhões” para os filhos, e assim atinjo uma quarta geração. O Didi tem uma leveza com a qual as crianças se identificam. E talvez essa leveza tenha ficado mais rara na TV.

    VEJA SÃO PAULO — Está mais difícil fazer humor hoje por causa da pressão do “politicamente correto”?

    Renato Aragão — O humorista vive engessado e não pode fazer nem 10% do que era feito nos anos 70. Sempre falamos de branco, de negro e eu era chamado de paraíba. Nunca tivemos a intenção de magoar ninguém e tampouco de causar constrangimentos. Se o Mussum criava piadas em que bebia cachaça era porque aquilo soava divertido e, de certa forma, fazia parte da vida dele. Em nenhum momento incentivávamos o público a consumir bebidas alcoólicas. Se a patrulha continuar intensa, vamos chegar a um ponto em que vai ser impossível fazer humor no Brasil.

     

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Impressa + Digital no App
    Impressa + Digital
    Impressa + Digital no App

    Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.

    Assinando Veja você recebe semanalmente Veja SP* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
    *Assinantes da cidade do SP

    A partir de 29,90/mês